Ex-Ilva de Taranto encontra-se numa posição ainda mais delicada após nova decisão judicial. A poucos dias do não dissequestro do alto forno 1 — atingido por um incêndio em maio passado — o Tribunal de Milão acolheu, parcialmente, um recurso apresentado por 11 cidadãos de Taranto e disaplicou prescrições ambientais da AIA que regulam a operação das instalações.
É importante sublinhar: o Tribunal não anulou a AIA, mas considerou inadequadas certas prescrições face à gravidade da situação sanitária e ambiental. Os juízes deram à empresa prazo até o dia 24 de agosto para revisar e aprimorar essas medidas, estabelecendo que a alteração deve assegurar a execução efetiva dos intervenções previstos. Caso nada mude até essa data, a área a quente do complexo siderúrgico de Taranto deverá ser parada.
Do ponto de vista estratégico e de mercado, essa decisão age como uma recalibragem nos freios e aceleradores da operação industrial: impõe uma exigência de performance ambiental que, se não atendida, cortará a produção. Essa incerteza tem efeitos imediatos em três frentes principais.
Primeiro, no plano trabalhista: no final da tarde, o Ministério do Trabalho suspendeu a discussão sobre o pedido de cassa integrazione apresentado pela empresa para um ano, com impacto sobre 4.450 trabalhadores — 3.800 deles em Taranto. A suspensão decorre do desejo da empresa de avaliar as repercussões da decisão, que, segundo fontes sindicais, provavelmente será impugnada.
Segundo, na negociação com investidores: a tratativa com o fundo americano Flacks Group, candidato à aquisição total do ex-Ilva, fica comprometida. Fontes próximas ao dossiê temem que o grupo arque e se retire da operação diante de um quadro em que a componente ambiental se tornou mais onerosa. Essa retração poderia, por sua vez, comprometer o prestito ponte recentemente autorizado pela Comissão UE — até um máximo de 390 milhões — destinado a garantir a continuidade produtiva até a mudança de propriedade.
Terceiro, a decisão intensifica a emergência sindical e política. As siglas representativas dos metalúrgicos emitiram alertas imediatos. Ferdinando Uliano, secretário-geral da Fim Cisl, classificou a ordem de suspensão da atividade da área a quente, a partir de 24 de agosto de 2026, como um fator adicional de complicação numa disputa que já se arrasta por mais de uma década. Para Uliano, a primeira ação da empresa deverá ser impugnar a sentença e definir a estratégia de resposta.
Guglielmo Gambardella, secretário nacional da Uilm, e Loris Scarpadella, da Fiom Cgil, também destacaram a gravidade do momento: a atual ferramenta de proteção social (cassa integrazione) pode não ser suficiente para enfrentar o quadro. A USB exigiu imediatamente uma convocação do Governo para respostas claras e assumidas.
Como economista e estrategista, vejo essa sentença como uma mudança de marcha no cenário industrial italiano: é uma exigência pela precisão e pela operacionalização das medidas ambientais — uma calibragem que pode reduzir riscos, mas que vem com custos e impactos sobre a liquidez e a viabilidade de transações. O equilíbrio entre continuidade produtiva e responsabilidade ambiental passa agora por um prazo técnico-jurídico curto, que exigirá decisões cirúrgicas e um redesenho do plano de conformidade. Sem isso, o motor da planta pode ser obrigado a parar.
Em suma, a nova etapa abre janelas de risco e de oportunidade: risco para empregos, continuidade e operações financeiras; oportunidade para reestruturar processos, atrair investidores comprometidos com padrões ambientais mais elevados e reposicionar o ativo para uma transição industrial sustentável. A virada exigirá liderança clara, capital de risco verificado e uma engenharia de políticas que una segurança sanitária e viabilidade econômica.






















