Por Stella Ferrari — O mercado imobiliário italiano mostrou sinais claros de recuperação no IV trimestre de 2025, segundo o levantamento conjuntural realizado pela Banca d’Italia, Tecnoborsa e Agenzia delle Entrate. Os dados retratam uma aceleração das transações, uma valorização dos ativos residenciais e uma pressão ascendente sobre os aluguéis, configurando-se como um movimento coordenado do motor da economia imobiliária.
De maneira sintética: aumentaram as compravendas, subiram os preços das casas e os canais de locação apontam para elevações futuras. No período analisado, as avaliações de preço das habitações reforçaram-se em quase todo o território nacional. Os margens de desconto sobre os preços pedidos pelos vendedores permaneceram estreitos e os prazos médios de venda encontraram-se em patamares historicamente baixos.
O saldo entre julgamentos de aumento e diminuição dos preços de venda subiu para 9 pontos percentuais no trimestre — uma leitura mais favorável em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2024. Esse saldo positivo é generalizado pelo país, com maior intensidade nas áreas urbanas do Centro e nas zonas não urbanas do Norte-Est. No Sul e Ilhas, o indicador ficou praticamente neutro, resultado de dinâmicas divergentes entre áreas urbanas (com predominância dos aumentos) e não urbanas (com saldos ainda negativos).
Quanto às condições de negociação, o desconto médio em relação ao preço pedido situou-se em cerca de 8%, próximo aos mínimos históricos da série. Persistem diferenças regionais: no Norte-Est o desconto médio foi de aproximadamente 5%, enquanto no Sul e Ilhas esse recuo foi cerca do dobro, refletindo uma maior flexibilidade nesses mercados.
O tempo médio para venda foi de 5,5 meses, confirmando um ciclo de comercialização rápido. A parcela de agências que registrou ao menos uma transação no trimestre alcançou cerca de 90% — um índice elevado mesmo para o período invernal — e as operações referem-se, em sua maioria, a imóveis pré-existentes. Em paralelo, a oferta de imóveis continua em retração, com novos encargos de venda em queda, acelerando a compressão do stock disponível.
Do lado da demanda, o saldo negativo entre julgamentos de aumento e diminuição do número de potenciais compradores reduziu-se para -5 pontos percentuais, sinalizando um reequilíbrio em relação ao trimestre anterior. Já os aluguéis seguem pressionados para cima: cresceram, embora em ritmo menor que no período precedente, e as expectativas para o início de 2026 apontam para novas elevações.
Em termos estratégicos, o quadro sugere uma aceleração de tendências orientada pela conjunção de demanda recuperada e oferta comprimida. Para decisores e investidores, é momento de calibrar posições: a calibragem de juros e o desenho de políticas habitacionais funcionam como freios ou aceleradores desta dinâmica. Em um ambiente de liquidez seletiva, quem opera no setor precisa ajustar o design das suas estratégias como se afinasse um motor de alta performance — precisão nas avaliações e velocidade na execução serão diferenciais.
Em síntese, as perspectivas para o mercado residencial italiano no curto prazo são de melhora geral, com heterogeneidade regional sensível. A trajetória de preços e aluguéis continuará a depender da interação entre oferta limitada, demanda em recuperação e escolhas macroeconômicas que influenciam custos de financiamento.
Stella Ferrari é economista sênior e estrategista de mercado da Espresso Italia, especializada em análises de mercado imobiliário e políticas macroeconômicas.






















