Por Marco Severini — Em um movimento que ressalta a fragilidade dos alicerces da diplomacia na região, ao menos cinco palestinos foram mortos em ataques com drones realizados nesta manhã pelas forças de Israel na parte central e sul da Faixa de Gaza. Fontes locais citadas pela agência Wafa indicam que três vítimas foram identificadas a oeste de Khan Younis, enquanto outras duas mortes ocorreram ao norte do campo de refugiados de al-Bureij.
Segundo o Ministério da Defesa Civil de Gaza, administrado pelo movimento Hamas, um ataque aéreo atingiu a área central da Faixa e matou ao menos duas pessoas, e um ataque por drone matou outras três. Desde a entrada em vigor do acordo de cessação de fogo entre Israel e Hamas, em 11 de outubro, já são contabilizadas mais de 600 mortes na enclave — cifra que ilustra a precariedade do quadro de segurança apesar dos acordos formais.
No mesmo compasso de tensão, no front informativo internacional, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou ao Washington Post que, embora o presidente Donald Trump ainda esteja avaliando uma opção militar contra o Irã, é “impossível” que uma eventual operação se transforme em um envolvimento americano numa guerra longa e prolongada no Oriente Médio. Vance afirmou não saber qual curso o presidente adotará — mencionando alternativas que vão desde ataques para prevenir uma eventual aquisição de armas nucleares pelo Irã até a resolução por meios diplomáticos — mas foi categórico ao rejeitar, como cenário plausível, um envolvimento americano por anos.
“Não há qualquer possibilidade de que isso aconteça”, disse Vance, em referência à hipótese de os EUA ficarem presos em um conflito de longa duração. O vice-presidente também reafirmou sua postura de ceticismo em relação a intervenções militares no exterior, perspectiva que, segundo ele, continua a se aplicar à administração Trump. “Penso que todos preferimos a opção diplomática”, concluiu, ainda condicionando a escolha final às ações e comunicações iranianas.
Na narrativa operacional militar, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram ter identificado e atacado combatentes que teriam atravessado a chamada “linha amarela” na porção norte da Faixa de Gaza, aproximando-se de reservistas da 205ª Brigada Blindada “Pugno di Ferro” (“Punho de Ferro”) em uma situação que representava uma “ameaça imediata”. As tropas de terra, segundo o comunicado do IDF, coordenaram um ataque aéreo que “eliminou alguns terroristas para afastar a ameaça”.
Como analista que observa o tabuleiro regional com a calma de um jogador experiente, noto que estes incidentes — por menores que pareçam isoladamente — funcionam como forças tectônicas: pressionam fronteiras políticas invisíveis, testam competências de dissuasão e redefinem, por tacada, o equilíbrio de influências entre atores locais e grandes potências. A retórica de contenção por parte de Washington, representada pelas palavras de Vance, busca ser um movimento profilático no tabuleiro; contudo, a continuidade de ataques, a circulação de narrativas de vitimização e a presença de vetores militares como drones mantêm a região em estado de alta probabilidade de escalada.
Em suma, enquanto cadeias de comando descrevem a ação de campo como necessária para neutralizar ameaças imediatas, a diplomacia sacrifica continuidade e previsibilidade. O resultado é um ciclo em que a paz formal permanece distante dos padrões de segurança cotidiana das populações locais — um quadro que exige dos atores internacionais mais do que palavras: exige estratégia sustentada e robustez institucional.






















