Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um movimento que mistura urgência diplomática e cálculo estratégico, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou estar disposto a encontrar-se com Vladimir Putin e a empreender qualquer gesto necessário para buscar a paz. Em entrevista à Sky News, Zelensky sublinhou a convicção de que os Estados Unidos dispõem do poder de encerrar o conflito, desde que apliquem uma pressão maior sobre Moscou.
Segundo o presidente ucraniano, "os Estados Unidos são ainda mais fortes do que pensam. E eu realmente acredito nisso. Podem realmente pressionar Putin. Podem parar esta guerra." Zelensky acrescentou que vê uma janela de oportunidade nos meses que antecedem o outono e as eleições intercalares americanas, afirmando: "Agora penso que temos uma possibilidade. Depende destes meses, se teremos a capacidade de pôr fim à guerra antes do outono… Antes das eleições, eleições importantes e influentes nos Estados Unidos. Se for possível alcançar a paz, a teremos; agora temos essa janela."
Na mesma linha, o líder ucraniano instou a administração de Washington a endurecer sanções contra as famílias dos dirigentes russos e a fornecer armamento mais sofisticado a Kyiv — uma estratégia, nas suas palavras, que aumentaria a pressão para levar Moscou a levar os diálogos a sério. Estas propostas refletem a crença de Kyiv em que um desequilíbrio definido no tabuleiro de forças pode transformar-se em alavanca diplomática.
Enquanto isso, entrelaçando preparação militar e sinalização política, paraquedistas britânicos e franceses concluíram exercícios conjuntos destinados a uma possível missão de peacekeeping em território ucraniano, condicionada a um cessar-fogo. O jornal britânico The Telegraph relata que, na Bretanha, mais de 600 militares da 16ª Brigada de Assalto Aéreo do Exército britânico realizaram uma operação aerotransportada simulada em conjunto com unidades da 11ª Brigada de Paraquedistas francesa.
As manobras ocorrem algumas semanas após o anúncio do primeiro-ministro britânico Keir Starmer de que Reino Unido e França estariam prontos para liderar uma força de peacekeeping caso um acordo de cessar-fogo fosse alcançado. É um movimento que combina posturas militares concretas com um desenho de influência: uma tentativa de criar alicerces internacionais para uma arquitetura de segurança que, no futuro, poderia estabilizar fronteiras práticas e zonas de contenção.
No entanto, o cenário operacional permanece volátil. Durante a noite, houve nova escalada de ataques entre Ucrânia e Rússia, com impactos significativos sobre infraestruturas civis e militares. O Kyiv Independent reportou fortes explosões e incêndios num depósito de petróleo na zona ocupada de Luhansk. Em paralelo, autoridades russas denunciaram o lançamento de mísseis ucranianos sobre a cidade de Belgorod e arredores.
O governador regional Vyacheslav Gladkov confirmou danos substanciais na rede energética local, resultando em cortes generalizados de eletricidade, interrupção do abastecimento de água e avarias nos sistemas de aquecimento durante as horas noturnas — efeitos que agravam a já frágil resistência civil em tempos de crise.
Em seu habitual vídeo-mensagem vespertina, Zelensky informou ter mantido múltiplos contatos diplomáticos: conversou com Rustem Umerov, Davyd Arakhamia e com os enviados presidenciais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, em seguimento dos encontros havidos ao longo do dia, conforme reportou a agência Ukrinform. São iniciativas que denotam uma intensa atividade de bastidores, tentando converter o ímpeto político em opções tangíveis sobre o tabuleiro internacional.
Do ponto de vista geopolítico, assistimos a uma complexa tectônica de poder: uma combinação de pressão econômica, sinalizações militares e diplomacia intensa que poderá, se bem coordenada, abrir uma janela para negociações significativas — ou, alternativamente, consolidar linhas de confronto duradouras. A partida ainda está em andamento; cada movimento nesta fase pode ser decisivo para redefinir fronteiras invisíveis e os alicerces futuros da paz.






















