Na terceira noite do Sanremo 2026, o veredicto apontou os cinco nomes que mais se destacaram — em ordem aleatória nesta etapa provisória: Arisa, Sayf, Luchè, Serena Brancale e Sal Da Vinci. A classificação foi definida pela combinação do voto da Giuria delle Radio e do Televoto, um dueto institucional que reflete tanto o gosto das emissoras quanto a pulsação do público.
Esta terceira noite apresentou os 15 artistas restantes do festival, completando o panorama iniciado na segunda noite. Em cena, vimos nomes que transitam entre a tradição e as buscas contemporâneas do pop e do cancionismo italiano — um mosaico capaz de funcionar como espelho do nosso tempo musical.
Artistas que subiram ao palco ontem foram: Arisa, Eddie Brock, Francesco Renga, Leo Gassmann, Luchè, Malika Ayane, Mara Sattei, Maria Antonietta e Colombre, Michele Bravi, Raf, Sayf, Sal Da Vinci, Samurai Jay, Serena Brancale e Tredici Pietro. A alternância entre veteranos e novas vozes compõe um roteiro que lembra um filme em que cada ato revela camadas diferentes da cena musical italiana.
Na noite anterior, a segunda fase do festival trouxe apresentações de Bambole di Pezza, Chiello, Dargen D’Amico, Ditonellapiaga, Elettra Lamborghini, Enrico Nigiotti, Ermal, Fedez e Masini, Fulminacci, J Ax, Lda e Aka 7Even, Levante, Nayt, Patty Pravo e Tommaso Paradiso. Naquele dia, a Top 5 provisória incluiu Tommaso Paradiso, Lda & Aka 7Even, Nayt, Fedez & Masini e Ermal Meta.
O que torna esta etapa do festival particularmente aguardada é a sua capacidade de reframe cultural: o espetáculo não é apenas uma competição, mas um arquivo emocional coletivo onde o repertório contemporâneo dialoga com memórias sonoras nacionais e internacionais.
Hoje, sexta-feira, 27 de fevereiro, o palco se transforma novamente para a noite das covers, um dos momentos cultuados do Sanremo. Serão 30 artistas em disputa, cada um ao lado de um convidado, reinterpretando uma canção escolhida do vasto repertório italiano ou internacional. É quando o festival se permite revisitar clássicos e reescrevê-los em novos tons — um exercício de semiótica do viral e da tradição.
Da mesma forma que num filme em que a trilha sonora realça nuances de cena, as escolhas de cover costumam revelar afinidades artísticas, referências pessoais e, sobretudo, o roteiro oculto que cada músico quer contar ao público. A expectativa é ver como as interpretações vão ressignificar canções conhecidas e, possivelmente, abrir novas leituras para o público e para a crítica.
Seguimos observando, como quem assiste a um filme premiado em Roma ou Milão, o desenrolar deste festival que continua a espelhar tendências, memórias e inquietações. Na dramaturgia do Sanremo 2026, cada performance reforça o papel do festival como barômetro cultural da Itália — e, por extensão, do cenário pop europeu.






















