Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — A segunda noite do Festival di Sanremo ganhou um tom de mistério que se parece mais com um enredo bem escrito do que com uma simples alteração de escalação. A versão da ordem das presenças que circulava entre os bastidores previa que, ao lançar a canção de Fedez & Masini na quarta‑feira, o momento seria conduzido por Carlo Conti ao lado de Achille Lauro. Mas, quando o rapper e o compositor subiram ao Ariston para interpretar “Male necessario”, Achille Lauro não estava lá.
Em seu lugar, ao lado de Conti, quem apareceu foi Laura Pausini. A mudança – aparentemente burocrática – acendeu imediatamente conversas nas redes e nos corredores do teatro: será que os dois se evitaram deliberadamente? A hipótese que circula é direta e enraizada no terreno do íntimo: velhas ruggini sentimentali, incidentes e histórias que vincularam nomes como Fedez, Chiara Ferragni e a figura de Angelica Montini nas últimas semanas.
Não é preciso ser detetive do espetáculo para perceber que o palco do festival atua, sempre, como um espelho do nosso tempo — um lugar onde narrativas públicas se sobrepõem a memórias privadas. A substituição de Lauro por Pausini alimentou esse espelho: de um lado, a versão prática de um imprevisto logístico; do outro, a leitura cultural que transforma qualquer gesto em sinal num roteiro mais amplo de emoções e conflitos.
O registro jornalístico dos últimos dias já vinha traçando a teia: matérias sobre os laços e desavenças entre Fedez, Chiara Ferragni e nomes próximos — e ainda declarações públicas, como o comentário de Achille Lauro sobre o papel do gossip e sua relação com temas mais sérios. Nos relatos, surgem referências à figura de Angelica Montini e às repercussões midiáticas que acompanham amores, insinuações e ressentimentos. Tudo isso contribui para que uma simples mudança na escalação pareça, no fim, um ponto alto do enredo.
Vale lembrar: Sanremo sempre foi palco de performatividade política e sentimental. Se por um lado há a ética do espetáculo — cumprir horários, manter a fluidez do programa — por outro há a semiótica do encontro: quem aparece ao lado de quem, em que momento e com que expressão. Essa coreografia inesperada diz mais sobre o nosso desejo de atribuir sentido do que sobre as motivações reais dos envolvidos.
Por ora, resta a imagem de Fedez entoando “Male necessario” sem o suposto parceiro de lançamento, e a presença calorosa de Laura Pausini para preencher a lacuna. Entre a especulação e o fato, o festival prossegue: o Ariston segue projetando histórias que, como filmes, nos convidam a olhar além da cena — a buscar o roteiro oculto que move celebridades, público e imprensa.
Atualizaremos quando houver posicionamentos oficiais ou explicações dos artistas e da direção do festival. Até lá, o que se desenha é um eco cultural: o espetáculo continua, e nós seguimos atentos ao next take.






















