Por Giuseppe Borgo — Em uma negociação concluída na madrugada, os representantes do centro-direita acordaram o núcleo da reforma que substituirá o Rosatellum e poderá moldar as eleições legislativas de 2027. Fontes presentes na discussão confirmam um esquema de massima já alinhado, com alguns nós ainda a serem resolvidos — especialmente o regime de preferências — cuja palavra final caberá aos líderes antes que os técnicos formalizem o texto a ser levado ao Parlamento, e antes do referendo sobre a separação de carreiras entre procuradores e juízes.
O projeto, apelidado por alguns como Stabilicum, tem como objetivo declarado garantir estabilidade, com um prêmio de governabilidade considerado “não excessivo”. A proposta básica prevê a abolição dos colégios uninominais e a adoção de um sistema proporcional com mecanismo de bônus para a coalizão que ultrapassar 40% dos votos: uma “dote” de 70 cadeiras na Câmara e 35 no Senado.
Haveria, ainda, a hipótese de recorrer a um eventual balotaggio apenas em um caso residual — se tanto a primeira quanto a segunda coalizão obtiverem entre 35% e 40% dos votos. Esse ponto busca evitar fragmentação excessiva e oferecer maior previsibilidade aos executivos eleitos, uma peça importante na construção de direitos e na manutenção dos alicerces da governabilidade.
Os interlocutores que negociaram o texto foram Giovanni Donzelli (FdI), Roberto Calderoli e Andrea Paganella (Lega), e Stefano Benigni e Alessandro Battilocchi (Forza Italia). Entre os itens aprovados está a obrigação de indicar, no programa de coalizão, o candidato à premiership a ser proposto ao Presidente da República, além do estabelecimento de um listone de coalizão para a atribuição das 70 vagas de deputado e 35 de senador decorrentes do prêmio. O listone seria subdividido por circunscrições eleitorais.
Na prática, caso a proposta avance, a nova cédula eleitoral não deverá se distanciar muito da atual: na seção correspondente à circunscrição, aparecerão dois ou três nomes escolhidos pela coalizão em vez do nome do candidato uninominal, e abaixo constarão as listas partidárias vinculadas. Permanece, contudo, a briga sobre o método de eleição dos parlamentares ligados às listas: a Lega tende a favor de um listino preordenado, enquanto a Fratelli d’Italia defende a reintrodução das preferências.
Outra demanda da formação da primeira-ministra foi ampliar o número de círculos plurinominais: na Câmara, subir de 49 para 58-60; no Senado, de 26 para mais de 30. Esses ajustes impactam diretamente a arquitetura do voto e a representação territorial — é a base sobre a qual se erguem os direitos políticos dos cidadãos e imigrantes, e que determina como as escolhas locais se traduzem em maiorias parlamentares.
O acordo, por ora ainda preliminar, será transformado em texto jurídico pelos técnicos e submetido ao Parlamento. O cronograma político é apertado: a finalização do texto deve anteceder o referendo sobre a separação de carreiras, sinalizando uma tentativa de alinhar a reforma eleitoral aos próximos marcos institucionais.
Como correspondente, acompanho a tramitação com atenção: a nova lei promete derrubar barreiras burocráticas para a formação de maiorias, mas também levanta questões sobre a transparência das escolhas internas das coalizões e o vínculo entre eleitos e eleitores. Resta ver se os líderes manterão o pacto firmado na madrugada quando a proposta enfrentar o escrutínio parlamentar — e, sobretudo, se a obra legislativa ficará firme sobre os alicerces da representação democrática.






















