Por Giuseppe Borgo — A Supermedia AGI/YouTrend de hoje desenha um quadro que, pela primeira vez em muito tempo, evidencia uma clara dificuldade do centrodestra. A retração aparece tanto nas intenções de voto para os partidos quanto na dinâmica do referendum constitucional sobre a paridade, onde a vantagem do Sì sobre o No se estreitou a apenas 2,4 pontos percentuais, com institutos que já registram empate técnico ou mesmo liderança do No.
Em termos eleitorais, a soma das forças de centro-direita recua e perde terreno em duas semanas, um sinal de que a arquitetura política está sendo remexida — não por um tremor estrutural, mas por pequenas fissuras que podem crescer se não houver reparos rápidos na comunicação e na coesão do bloco.
Detalhes da Supermedia — listas:
- Fratelli d’Italia (FDI) 29,1% (-0,6)
- Partito Democratico (PD) 22,1% (=)
- Movimento 5 Stelle (M5S) 11,8% (-0,2)
- Forza Italia 8,9% (-0,2)
- Lega 7,0% (-0,4)
- Verdi/Sinistra 6,7% (+0,4)
- Azione 3,4% (+0,2)
- Futuro Nazionale 3,0% (+0,1)
- Italia Viva 2,2% (-0,1)
- +Europa 1,6% (-0,1)
- Noi Moderati 1,1% (=) * (não detectado por Tecné)
Supermedia — coalizões 2022:
- Centrodestra 46,0% (-1,2)
- Centrosinistra 30,4% (+0,3)
- M5S 11,8% (-0,2)
- Terzo Polo 5,7% (+0,2)
- Altri 6,1% (+0,8)
Para o referendum constitucional sobre a paridade, a Supermedia aponta:
- Sì 51,2% (-1,7)
- No 48,8% (+1,7)
As variações entre parênteses indicam o deslocamento em relação à Supermedia de duas semanas atrás (12 de fevereiro de 2026) e, especificamente para o referendo, em relação à semana anterior (19 de fevereiro de 2026).
Importante notar: a entrada do novo partido de Antonio Vannacci, Futuro Nazionale, não explica por inteiro a fragilidade do bloco de centro-direita — o partido aparece praticamente estável em relação a duas semanas atrás, com 3,0%. A leitura sugere que o desgaste é mais amplo, ligado a dinâmicas de coalizão e à percepção pública sobre prioridades e lideranças.
Metodologia — a Supermedia YouTrend/AGI é uma média ponderada de sondagens nacionais sobre intenções de voto. A ponderação utilizada hoje, que engloba pesquisas realizadas entre 12 e 25 de fevereiro, foi calculada em 26 de fevereiro com base no tamanho amostral, data de realização e método de recolha de dados. Os institutos considerados são: EMG (publicação: 20/02), Eumetra (19/02), Ixe’ (23/02), Only Numbers (17/02), SWG (16 e 23/02), Tecné (14/02) e YouTrend (20/02).
Para o referendum: Demopolis (20/02), EMG (12 e 20/02), Eumetra (19/02), Ixe’ (23/02), Only Numbers (17/02), SWG (16/02), Tecné (14/02) e YouTrend (20/02). A nota metodológica detalhada de cada sondagem está disponível no sítio oficial www.sondaggipoliticoelettorali.it.
Como correspondente que constrói pontes entre a política em Roma e a vida dos cidadãos — nativos, imigrantes e ítalo-descendentes — é imprescindível ler esses números como alicerces que apontam para problemas concretos: comunicação partidária falha, riscos de desalinhamento nas coalizões e sensibilidade crescente do eleitorado sobre direitos civis e representação. Se a política é um edifício, hoje vemos pequenas rachaduras na fachada do centrodestra. Cabe aos responsáveis pela direção da coalizão tomar medidas de contenção para não permitir que fissuras se transformem em desabamento político.
Em resumo: o panorama é de perda de fôlego do bloco de centro-direita e de um referendo que caminha para um empate técnico — indicadores que exigem atenção imediata por quem decide e por quem vive as consequências dessas decisões. O peso da caneta e a arquitetura do voto continuam a moldar o futuro cívico do país.






















