Reacendeu-se e intensificou-se o confronto verbal entre Robert De Niro e Donald Trump. Em um post na sua rede Truth, o presidente reagiu às duras palavras do ator, que havia convocado os americanos a «destituir» a administração para «salvar os Estados Unidos».
Na publicação, Trump definiu De Niro como «outra mente doente e desequilibrada», acrescentando que o ator teria, segundo ele, um QI «extremamente baixo» e que não faz «absolutamente ideia do que está dizendo ou fazendo, algumas das quais são absolutamente CRIMINOSAS!».
O presidente não poupou igualmente as deputadas democratas Ilhan Omar, de origem somali, e Rashida Tlaib, do Michigan, usando-as como parte de uma crítica mais ampla ao que descreve como oposição desordenada.
«A boa notícia é que a América agora é maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca, e isso os enlouquece», afirmou Trump no mesmo post, adotando um tom triunfante sobre indicadores de sua administração.
O episódio teve origem em uma entrevista concedida por De Niro ao podcast “The Best People”, na qual o ator de 82 anos, célebre por papéis em Taxi Driver e Toro Enraivecido, apelou aos norte-americanos para que «resistam» ao governo: «O que está em jogo é o nosso país; Trump está destruindo-o. Não é algo saudável. Precisamos salvar o país — as pessoas devem resistir, resistir, resistir», disse o veterano artista.
Não é a primeira vez que De Niro se posiciona de forma incisiva contra o atual presidente. Em maio passado, durante o Festival de Cannes, o ator já havia pedido a defesa da democracia diante de um presidente que qualificou de «ignorante».
Uma leitura estratégica
Do ponto de vista da diplomacia informada, este é mais um movimento no tabuleiro político interno americano — um lance que mistura retórica agressiva e consolidação de bases eleitorais. A confrontação pública entre uma figura cultural de peso como De Niro e o líder executivo revela os alicerces frágeis da comunicação política contemporânea: em vez de debates substanciais sobre políticas, o que se reproduz são golpes simbólicos e performáticos que visam consolidar percepções.
Como analista, enxergo aqui um redesenho de fronteiras invisíveis entre cultura e política. A sequência de ataques e respostas funciona como uma série de jogadas em uma partida de xadrez — cada peça é movida não só para ocupar espaço, mas para redesenhar linhas de influência e mobilização.
Em última análise, a escalada retórica aprofunda a polarização e tem efeitos práticos: energiza bases, molda narrativas internacionais e complica a convivência institucional. Através dessa lente arquitectônica e cartográfica do poder, a disputa entre Trump e De Niro é sintomática de uma tectônica de autoridade que continuará a definir o debate público nos Estados Unidos.






















