Elettra Lamborghini é uma das presenças mais comentadas do Sanremo 2026. Em competição com a canção Voilà, a cantora voltou a falar sobre as noites agitada s da cidade dos festivais e detalhou, com humor e franqueza, como tem gerido a pressão dos palcos e dos bastidores.
Em ligação ao programa ‘È sempre Mezzogiorno’, apresentado por Antonella Clerici, Elettra Lamborghini retomou a sua ‘cruzada’ contra as festas noturnas aparentemente «bilaterais» em Sanremo — eventos que, segundo ela, atrapalham o foco e o descanso dos artistas. Na véspera, já havia prometido a Carlo Conti que, se os festins continuassem, desceria ‘com megafone’ para reclamar.
A cantora revelou que dormiu apenas duas horas: ‘Isso me dá raiva porque trabalhei feito louca durante quatro meses, queria que tudo desse certo. Felizmente a primeira noite correu bem, mas ontem esperava mais. Dormi só duas horas’, contou. A insegurança também apareceu: ‘Ontem estava muito insegura, não gostei de nada, nem da minha voz nem do vestido’.
No capítulo pessoal, o episódio ganhou uma nota quase cinematográfica. Ao lado dela está o marido, o DJ e produtor Afrojack, que, segundo Elettra Lamborghini, foi ‘enviado’ ao cassino em Montecarlo: ‘Disse a ele “vai amor e faz o que quiser”. Ficou comigo duas horas e já estava cansado. Aqui te acordam às seis da manhã, entre entrevistas e conversas. Talvez seja melhor que ele venha só para a noite das cover’.
Sobre o feedback dele após a apresentação, ela foi direta: ‘Ontem ele me disse que eu fui maravilhosa. Mas a opinião dele não conta, é como a mãe que diz que você é linda’. A sinceridade, aliás, é parte do que torna a narrativa de Elettra Lamborghini tão atual: a celebração do fracasso momentâneo, a gestão pública da ansiedade e a performance contínua de si mesma como espetáculo.
Como observadora cultural, não posso deixar de ver nesse episódio um pequeno espelho do nosso tempo. A presença ostensiva nas redes, a busca por controle da imagem e o desgaste causado pela agenda incessante compõem o roteiro oculto que muitos artistas vivem — e que o público muitas vezes consome como entretenimento sem perceber a tensão por trás da cena. O fato de enviar o parceiro ao cassino soa como um gesto pragmático e irônico, uma solução provisória para preservar o foco num palco onde cada gesto vira manchete.
O caso também reflete a semiótica do viral: uma frase engraçada, uma queixa íntima, um momento de fragilidade transforma-se em clipe curto e manchete digital. Elettra Lamborghini navega neste mar com humor e estratégia, sabendo que, às vezes, a autenticidade calculada é a moeda mais valiosa. Em outras palavras, a cantora não é só um personagem pop; é um índice sobre como construímos e lemos celebração, falha e reconhecimento no contemporâneo.
Para quem acompanha Sanremo 2026, essa pequena cena entre ela e Afrojack diz muito sobre o ritmo do festival: um lugar onde música, imagem e teatro íntimo colidem, e onde até um envio ao cassino vira parte do roteiro público. Resta saber se, depois de alguma noite de descanso, Elettra Lamborghini sentirá novamente a insegurança — ou se o próximo capítulo do festival lhe trará a tranquilidade que ela busca.






















