Por Chiara Lombardi para Espresso Italia — A terceira noite do Festival de Sanremo chega como um plano-sequência que revela conflitos e viradas: os especialistas da Sisal mapearam os confrontos mais quentes entre os 15 intérpretes que subirão ao palco esta noite, transformando a urna das preferências em um espelho do nosso tempo.
Entre os embates mais comentados, surge o duelo entre Arisa e Sal Da Vinci, dois intérpretes de vozes opostas e trajetórias afetivas ao público. A casa de apostas vê o partenopeu ligeiramente à frente, com cotação de 1,65, contra 2,10 para a cantora de “Magica favola” — um microfilme sobre rivalidade e nostalgia, onde a memória do público pode decidir o desfecho.
No entanto, o roteiro pode se inverter: em um possível cabeça a cabeça com Sayf, revelação desta edição, a aposta aponta para Arisa como protagonista, com 1,57 contra 2,25. Esse contraste evidencia a semiótica do festival — o mesmo intérprete pode ser underdog num duelo e favorito em outro, dependendo do ponto de vista da plateia e das apostas.
Outro confronto que promete reunir gerações é entre Raf e Francesco Renga. Para a Sisal, Raf sai na frente (1,50) frente a Renga (2,40), uma disputa que lembra como a canção popular italiana se reinventa ao mesmo tempo em que preserva arcos de memória coletiva.
No campo do rap, a atenção se volta para Luchè e Tredici Pietro, ambos em sua estreia de protagonismo no Ariston. A preferência nas cotações favorece o rapper napolitano, a 1,50, enquanto Tredici Pietro aparece a 2,40 — um reflexo de como o rap contemporâneo dialoga com tradição e juventude no palco mais vigiado da Itália.
Finalmente, a semifinal das Nuove Proposte encerrou a disputa inicial entre Nicolò Filippucci e Angelica Bove. Os especialistas da Sisal indicam o ex-concorrente de Amici 24, Nicolò, como favorito a 1,40, enquanto Angelica apresenta probabilidade de virada cotada a 2,75. É a hipótese de subversão do roteiro: a promessa emergente que busca reescrever a cena.
Esta terceira noite não é apenas um sequenciamento de performances: é um pequeno espelho onde afinidades geracionais, narrativas pessoais e dispositivos de aposta se encontram. A Sisal transforma expectativas em números, mas o que realmente decide o vencedor é sempre uma combinação de execução, carisma e o eco cultural que cada canção provoca.
Ao acompanhar o palco do Ariston hoje, vale olhar além dos placares: observar como cada duelo desenha o roteiro oculto da sociedade, quais memórias são acionadas e que imagens coletivas permanecem quando as luzes se apagam.





















