Rússia lançou uma poderosa ofensiva aérea contra a Ucrânia na noite que marca o quarto aniversário do conflito:, segundo o presidente Volodymyr Zelensky, foram disparados 420 drones e 39 mísseis. O ataque provocou incêndios, danos a infraestruturas e cortes de energia em várias cidades, ao mesmo tempo em que a diplomacia internacional se desloca para Genebra em busca de caminhos de diálogo.
Autoridades regionais informaram que, em Zaporizhzhia, no sul ucraniano, sete pessoas ficaram feridas e mais de 500 residências ficaram sem aquecimento. Ivan Fedorov, chefe da administração militar regional, reportou também 19 edifícios danificados. Na capital, os distritos de Holosiivskyi e Pecherskyi foram atingidos, com incêndios em habitações particulares, enquanto um prédio residencial de nove andares no distrito de Darnytskyi sofreu avarias significativas.
De acordo com Tymur Tkachenko, chefe da administração militar de Kiev, os sistemas de defesa aérea foram acionados imediatamente e realizaram interceptações, mas as explosões foram ouvidas em vários bairros. As autoridades seguem verificando a extensão dos danos e eventuais vítimas. A destruição dirigida à rede energética já está provocando apagões e problemas de aquecimento em diversos centros urbanos, agravando a condição humanitária no rigoroso inverno.
O episódio ocorre num momento de tensão diplomática elevada: delegações de Washington e de Moscou convergem para Genebra para discutir um roteiro que possa levar à redução das hostilidades. À margem desses movimentos, foi divulgada pela Axios uma nova conversa telefônica entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, na qual o presidente ucraniano reiterou a necessidade de medidas mais duras — incluindo o pedido por sanções da UE “o mais cedo possível”.
Os emissários de Washington esperados na Suíça incluem figuras próximas ao ex-presidente — Steve Witkoff e Jared Kushner —, enquanto o negociador-chefe ucraniano, Rustem Umerov, lidera a contraparte de Kiev. Observadores diplomáticos interpretam o encontro como um possível prelúdio para um formato trilateral com a Rússia, embora não haja confirmação oficial sobre a concretização dessa etapa.
Na ótica estratégica, a nova onda de ataques parece destinada a moldar o ambiente antes das conversações: um movimento no tabuleiro que busca fortalecer uma posição por meios militares, pressionando interlocutores ocidentais e testando os limites da coesão aliada. A tentativa de Moscou de impor custos à logística energética e à resiliência civil revela a intenção de transformar infraestruturas em alvos para influenciar equilibrios políticos.
Como analista atento às dinâmicas de poder, destaco que este episódio confirma a natureza híbrida do conflito — onde bombardeios e diplomacia se intercalam num mesmo ritmo, e onde decisões táticas têm consequências estratégicas duradouras. O esforço de Kyiv para mobilizar apoio e ampliar o pacote sancionatório diante da União Europeia é compreensível: novas medidas econômicas constituem, para o país atacado, um instrumento de pressão complementar aos apelos por assistência militar e humanitária.
Enquanto as sirenes e as negociações ressoam simultaneamente, a comunidade internacional observa o desenrolar de um capítulo que pode redesenhar — ainda que parcialmente — linhas de influência e as bases de futuras negociações. Em termos práticos, permanece urgente a verificação de danos e vítimas, a restauração dos serviços essenciais e a coordenação humanitária, mesmo quando as grandes potências jogam suas peças no tabuleiro.





















