Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — O espelho do nosso tempo agora tem pixels e métricas: o Festival de Sanremo já não é apenas audiência televisiva, é também um espetáculo de social, onde interações, crescimento de followers e picos de engagement compõem o roteiro oculto da recepção popular. Na primeira noite, o mapa das conversas digitais aponta para um protagonista coletivo.
No topo das conversas da estreia figuram Fedez e Marco Masini ao lado de Sayf. O trio — com os perfis combinados que já somam cerca de 25 milhões e 128 mil seguidores — acumulou o maior volume de interações (aproximadamente 270 mil), seguido por Luchè (260 mil) e pelo próprio Sayf (241 mil).
É interessante o desvio do padrão: Sayf não só aparece entre os mais comentados como lidera índices percentuais importantes — post interaction (14,6%), engagement (17%) e ganho de seguidores (+27 mil). Um crescimento relevante, embora distante dos 69 mil seguidores que Olly conquistou na primeira noite do último ano.
Também emergem nomes com sinais de ressonância simbólica: Ditonellapiaga registra 11,9% de post interaction e 15,7% de engagement; Samurai Jay aparece com 9% de post interaction, 12,6% de engagement e +20 mil novos seguidores. Os números são do monitoramento da DeRev — uma leitura quantitativa que, como qualquer bom contra-plano cinematográfico, aponta tendências sem reduzir o sentido cultural.
Entre os artistas mais beneficiados pela onda de novos seguidores, Arisa surge em terceiro lugar com +14 mil seguidores. Mais abaixo, Fulminacci soma +5.973 e Serena Brancale +5.438. Em termos de interações: Arisa ocupa a sétima posição com 127 mil, Fulminacci é 11º com 67 mil e Brancale figura em 19º com 23 mil interações.
No universo web, as principais pesquisas ligadas ao Festival concentram-se na classificação (mais de 500 mil buscas), enquanto nomes como Patty Pravo e Kabir Bedi registram cerca de 200 mil buscas cada um; Tiziano Ferro aparece com 100 mil, seguido por Laura Pausini e Beppe Vessicchio (cada um com cerca de 50 mil) e Gianna Pratesi com 20 mil.
Comparativamente, o Festival ainda não igualou a passada edição em termos de captação líquida de seguidores: em 2024 os perfis oficiais ganharam +146.540 seguidores na abertura; em 2025 o número foi +94 mil. Nesta edição, os perfis cresceram +43.274, com a maior parte desses ganhos concentrada no Instagram (+35.229) e no TikTok (+20.355).
As interações totais contabilizadas até aqui alcançam cerca de 1.703.000 em 2026, enquanto a produção de conteúdo se mantém intensa: foram 225 publicações em 24 horas em todas as plataformas. Em comparação com a estreia de 2025, observa-se ligeira diminuição na presença dos artistas nas redes (242 posts contra 268 do ano anterior) e, na edição passada, registraram-se cerca de 2,17 milhões de interações.
O perfil demográfico conserva traços estáveis: o debate é majoritariamente feminino (62,9%) e mais concentrado entre os 25 e 34 anos (50,4%), seguido pelo grupo 18-24 (37,3%). A conversa permanece ancorada na Itália (84%), mas ganha ecos também nos Estados Unidos (3,9%), Espanha (2,8%), Reino Unido (1,1%) e Países Baixos (1%).
Sanremo segue, portanto, como um cenário de transformação: não apenas um palco, mas uma tela coletiva onde se desenham identidades, memórias e os sinais de um público que se dá ao trabalho de comentar o roteiro do presente.





















