Por Otávio Marchesini, Espresso Italia.
Foi uma noite que reescreve a narrativa recente do futebol italiano na Europa: em Bergamo, a Atalanta protagonizou uma recuperação que parece saída do cinema e confirmou sua presença nas oitavas da Champions League. Após o revés por 2-0 na partida de ida, os nerazzurri devolveram a dose com juros: 4-1 sobre o Borussia Dortmund, com o gol decisivo marcado aos 98 minutos por Samardzic, que converteu com frieza o pênalti concedido no apagar das luzes.
O jogo começou com ritmo incisivo. Logo aos cinco minutos, Gianluca Scamacca abriu o placar e deu à partida a atmosfera de que uma remontada seria possível. A evolução tática da equipe de Palladino — que hoje sentou ao lado do banco como condutor de um modelo de jogo que privilegia o coletivo sobre o brilho isolado — tornou a Atalanta paciente e vertical, ao mesmo tempo. Ainda antes do intervalo, com a partida caminhando para o intervalo, um lance de insistência terminou com o gol de Zappacosta (45′), colocando justiça momentânea no marcador.
No segundo tempo, o Dortmund tentou recuperar o controle, apoiado em sua tradição ofensiva, mas foi a Atalanta que voltou a marcar. Aos 57 minutos, Pasalic ampliou e restabeleceu a vantagem que se fazia necessária para sonhar com a virada no agregado. A partida, porém, teve momentos de tensão e questionamentos — o futebol europeu não é apenas técnica e estratégia, é também arbitragem, emoção e resistência física nos acréscimos.
O desfecho, como em poucos capítulos memoráveis da história recente do torneio, chegou no final: um pênalti assinalado já nos acréscimos, transformado por Samardzic aos 98′ em um chute seco, preciso, que definiu a classificação. O apito final consagrou não apenas a vitória por 4-1, mas a continuidade da representação italiana na principal competição de clubes da Europa — um alívio simbólico e prático para um país que observa sua presença na Champions com atenção e expectativa.
Mais do que um simples resultado, a noite em Bergamo reafirma alguns traços permanentes do esporte em seu contexto social: clubes como a Atalanta funcionam como núcleos identitários de cidades, e partidas decisivas como esta reverberam além das quatro linhas — na autoestima local, no mercado e na memória coletiva. A classificação devolve à temporada europeia um capítulo em que a estratégia, a resiliência e o sentido de comunidade se sobrepuseram ao determinismo estatístico das primeiras partidas.
Por fim, fica a leitura tática: Palladino e sua equipe encontraram um equilíbrio entre ousadia e controle; o Dortmund, por sua vez, pagou o preço de uma noite em que as transições não foram suficientes para conter a coesão adversária. Para a Atalanta, a viagem às oitavas é também a confirmação de um projeto esportivo que insiste em transformar recursos regionais em competividade continental.
Comentários e análises mais aprofundadas sobre os impactos desta classificação — financeiros, sociais e esportivos — serão desenvolvidos ao longo dos próximos dias. Por ora, Bergamo celebra e a Itália respira um pouco mais tranquila na Champions.
Otávio Marchesini — Espresso Italia




















