Rei Harald V da Noruega internado em Tenerife por infecção na perna
Por Marco Severini, Espresso Italia — Em um movimento que reconfigura, ainda que temporariamente, a paisagem institucional da Noruega, o Rei Harald V, que acaba de completar 89 anos, foi internado no Hospiten Sur, em Tenerife, após ser diagnosticado com uma infecção cutânea na perna durante um período de estadia privada na ilha espanhola.
O Palácio Real norueguês confirmou a hospitalização ontem. Segundo o médico pessoal do monarca, Bjørn Bendz, “está respondendo bem às terapias, embora qualquer infecção em um homem da sua idade seja grave e exija monitoramento atento“. Bendz informou ainda que o rei “permanecerá internado por mais alguns dias para observação e continuidade dos tratamentos“.
Trata-se de um episódio que, em termos de risco clínico, exige prudência: o rei já havia enfrentado quadro semelhante há dois anos, quando se encontrava de férias na Malásia. Na sequência daquela infecção foi implantado um marcapasso e o soberano reduziu gradualmente suas atividades oficiais. Subindo ao trono em 1991, Harald sempre descartou a possibilidade de abdicar, reiterando que prestou juramento vitalício perante o Parlamento norueguês — um elo institucional que o ancora à responsabilidade pública apesar dos alicerces frágeis da sua saúde.
No plano interno da monarquia, a hospitalização coincide com uma fase de desgaste reputacional. A família real tem sido arrastada por uma série de escândalos que redesenham fronteiras invisíveis entre vida privada e esfera pública. A princesa Mette-Marit, nora do rei e casada com o príncipe herdeiro Haakon desde 2001, aparece em documentos relacionados ao financista Jeffrey Epstein, o que suscitou perplexidade e múltiplas perguntas sobre proximidades inesperadas.
Paralelamente, o filho de Mette-Marit de um relacionamento anterior, Marius Borg Høiby, de 29 anos, enfrenta um processo com 38 acusações, incluindo quatro delitos de estupro e episódios de violência contra pessoas próximas; ele nega as acusações de maior gravidade. Esses casos corroem a confiança pública: pesquisa da televisão pública NRK divulgada no sábado aponta que apenas 60% dos noruegueses apoiam a instituição monárquica — uma queda de 10 pontos em relação ao mês anterior, o nível mais baixo já registrado.
Mesmo assim, e neste ponto a tectônica do afeto popular mantém certa resistência, o próprio Rei Harald V conserva manifestações de apreço na sociedade norueguesa. A situação clínica atual, embora não negligenciável, não altera imediatamente a arquitetura constitucional do país; cabe, porém, ao Palácio gerir com transparência e prudência tanto o aspecto médico quanto o político.
Em termos estratégicos, este episódio é um lembrete de que as monarquias modernas movem-se num tabuleiro de xadrez onde cada peça — saúde do chefe de Estado, reputação familiar, apoio popular — condiciona os próximos lances. A estabilidade institucional depende agora de decisões cuidadosas: comunicação clara, monitoramento clínico rigoroso e, se necessário, ajustes formais nas atribuições temporárias de funções oficiais.
Atualizações oficiais sobre o estado de saúde do rei devem ser aguardadas nos próximos dias, conforme confirme o corpo médico do Hospiten Sur e o Palácio Real.





















