Apuração exclusiva e cruzamento de fontes: um estudo da LHH, parte do Grupo Adecco e especializada em consultoria de recursos humanos e gestão de talento, revela uma discrepância substantiva entre a percepção dos gestores e a experiência dos trabalhadores sobre a motivação no trabalho. A pesquisa ouviu mais de 2.900 trabalhadores italianos, de vários setores e faixas etárias, com o objetivo de mapear os principais vetores do engajamento e do senso de pertencimento nas organizações.
Entre os achados centrais está o descompasso entre o que os gestores acreditam proporcionar e o que os funcionários percebem: 90% dos managers afirmam ser capazes de motivar suas equipes, enquanto apenas 16% dos trabalhadores concordam com essa avaliação. Esse hiato, documentado a partir do levantamento, aponta para a necessidade de uma liderança mais empática e relacional.
Segundo Luca Semeraro, administrador delegado da LHH Itália, “a nossa indagine restituisce um quadro claro: a motivação dos trabalhadores italianos se constrói com uma retribuição adequada, na qualidade das relações e no reconhecimento, seguidos por liderança e valores aziendali. Le aziende che intendono trattenere i talenti sono chiamate a investir na formação gerencial, em ferramentas de escuta e em programas estruturados de envolvimento”. A declaração foi verificada e incorporada ao cruzamento de dados desta apuração.
Os números detalham o quadro: 65% dos entrevistados declaram sentir-se motivados — com 36% dizendo-se bastante motivados e 29% relatando estar muito envolvidos com seu trabalho. O resultado sinaliza que, apesar das complexidades do mercado laboral e das mudanças organizacionais, a maioria da força de trabalho mantém um nível de satisfação com suas atividades cotidianas.
Quanto aos vetores que alimentam a motivação, os participantes hierarquizaram razões econômicas e pessoais: retribuição adequada (49%) lidera, seguida pela paixão pelo trabalho (40%) e por um clima positivo entre colegas (40%). Em seguida aparecem oportunidades de desenvolvimento profissional (25%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (23%). Aspectos institucionais como a solidez da empresa (6%), a visão estratégica (2%) e o alinhamento aos valores da organização (2%) foram apontados por uma minoria, revelando um descolamento entre a comunicação corporativa sobre liderança e o que efetivamente motiva no dia a dia dos colaboradores.
Na mesma linha de análise técnica, as principais fontes de demotivação se mostram em grande parte especulares às fontes de motivação: insuficiência salarial, relações interpessoais deterioradas, falta de reconhecimento, escassez de oportunidades de crescimento e tensão entre vida profissional e pessoal. Esses elementos compõem um diagnóstico que exige ações concretas por parte das empresas, em especial investimento em formação de gestores e em mecanismos estruturados de escuta.
Conclusão técnica: o estudo da LHH desenha um raio‑x do cotidiano laboral que confirma a urgência de transformar discursos de liderança em práticas percebidas pelos trabalhadores. As recomendações, validadas nesta apuração, são objetivas: priorizar políticas salariais coerentes, fortalecer relações internas, reconhecer desempenho e capacitar líderes para um papel mais relacional e menos declarativo.
Este relatório é parte de uma série de análises da Espresso Italia sobre dinâmica laboral na Europa. A apuração seguiu critérios de verificação e cruzamento de dados, com foco em apresentar os fatos brutos e verificáveis sem ruído interpretativo.






















