Apresentada na sala de imprensa Lucio Dalla do Festival de Sanremo, a programação do World Radio Day 2026 confirma a transformação contínua da rádio num ecossistema multiplataforma que não perde relevância, mas recria funções e profissões.
Organizado pelo portal Radio Speaker, o evento gratuito que acontece em 9 de março, em Milão, chega à sexta edição com a proposta de mapear a realidade do meio radiofônico e as suas interseções com o universo digital e os formatos on demand, como o podcast. Segundo dados Audiradio, apenas em 2025 a rádio atingiu 35.053.000 ouvintes no dia médio, indicador que reforça o alcance do meio mesmo num cenário marcado por novas plataformas.
“A revolução digital tornou a rádio mais extensa e híbrida. Hoje a rádio vive em múltiplas plataformas: FM, DAB, streaming, podcast, redes sociais e visual radio”, explicou Giorgio d’Ecclesia, CEO e fundador da Radio Speaker, em entrevista à Espresso Italia/Labitalia. O tema escolhido pela UNESCO para o World Radio Day 2026 — rádio e inteligência artificial — aponta que a tecnologia é ferramenta de suporte à produção, à análise de dados e à distribuição, mas que o núcleo do produto continua sendo a voz humana, a credibilidade editorial e a relação com o ouvinte.
Esta edição será realizada no Talent Garden Calabiana e reunirá nomes de peso do rádio italiano: Gerry Scotti, Linus, Roberto Ferrari (Radio Deejay), Jake la Furia, Camilla Ghini e Daniele Battaglia (Radio 105), Rosaria Renna e Filippo Firli (Radio Monte Carlo), Melissa Greta e Andrea Rock (Virgin Radio), Mary Cacciola, Flavia Cercato, Stefano Meloccaro e Benny (Radio Capital), Marco e Raf (Radio Kiss Kiss), Matteo Campese e Niccolò Giustini (RTL 102.5), Marco Caputo (Rai), Massimiliano Montefusco (RDS), entre outros. A iniciativa já envolveu mais de 400 emissoras nas edições anteriores, atraiu mais de 13.000 espectadores entre presença física e streaming e alcançou 825.000 visualizações nas redes sociais.
No plano do mercado de trabalho, a rádio não perde vagas — apenas muda os perfis demandados. Pelo cruzamento de fontes e apuração in loco, a tendência clara é a busca por profissionais transversais: quem combine competências de áudio com domínio de linguagens digitais e análise de dados. As posições em maior crescimento incluem content creator de áudio, podcast producer, digital editor, técnicos de streaming, engenheiros de som com skills em plataformas online, social media managers e analistas de audiência capazes de interpretar métricas em tempo real.
D’Ecclesia sublinhou que a tecnologia, incluindo a inteligência artificial, funciona como apoio na edição, na automação de processos e na segmentação de público. No entanto, completou, “não substitui a voz humana”: a credibilidade editorial e a conexão com o ouvinte permanecem fatores distintivos. Em resumo: mais do que competir, o digital redefine o formato e amplia as janelas de emprego.
Para profissionais e estudantes interessados em ingressar ou se atualizar no setor, o World Radio Day representa uma oportunidade de observação direta do mercado, networking e atualização sobre ferramentas que combinam produção sonora e distribuição digital. A programação aberta ao público permitirá ouvir relatos de quem opera nas frentes tradicionais e digitais, e acompanhar debates sobre modelos de negócio, formação de talentos e as aplicações práticas da tecnologia no ciclo de produção radiofônica.
O evento é, na avaliação técnica aqui apresentada, um termômetro confiável do setor: resume a dinâmica entre tradição e inovação, retrata a crescente profissionalização e aponta claramente as competências requisitadas. A realidade traduzida pelos números e pelos testemunhos confirma que a rádio segue viva e gerando oportunidades de trabalho renovadas.
Giulliano Martini
Correspondente Espresso Italia — apuração in loco, cruzamento de fontes, fatos brutos.

















