Por Chiara Lombardi — Na noite de abertura do Festival de Sanremo, o apresentador Carlo Conti anunciou quais foram as cinco canções que ficaram no topo da classificação provisória da primeira serata. A votação, realizada exclusivamente pela Sala Stampa, Tv e Web, revelou os nomes em ordem aleatória, sem indicar a posição exata de cada uma — um gesto que transforma o veredicto em sugestão e não em sentença.
As cinco gravações apontadas foram: Arisa com “Magica Favola”, Fulminacci com “Stupida Sfortuna”, Serena Brancale com “Qui con me”, Ditonellapiaga com “Che Fastidio!” e a parceria Fedez e Masini com “Male Necessario”. A leitura pública dessas escolhas, mais do que uma simples lista, funciona como um espelho do nosso tempo: revela afinidades estéticas e narrativas que ecoam fora do palco.
Na prática, a intenção da organização foi manter a tensão dramaturgica — o festival opera muitas vezes como um roteiro onde a ordem das cenas altera o efeito — e preservar o suspense para as próximas votações. A técnica de anunciar apenas as cinco músicas sem ordená-las cria um reframe da competição: a audiência e o mercado ficam convidados a interpretar quem está realmente liderando.
O próximo capítulo é na quarta-feira, 25 de fevereiro, quando mais 15 artistas da categoria “Campioni” subirão ao palco. Diferente da primeira serata, essas performances serão avaliadas por uma combinação de público e especialistas: haverá o televoto (com peso de 50%) e a juri das rádios (também 50%). Ao final da noite, a organização divulgará novamente as cinco canções que ficaram nos primeiros lugares da classificação, também sem ordem de colocação.
Essa alternância entre votações técnicas e populares — e entre transparência total e anúncio parcial — é parte do mecanismo que transforma Sanremo em mais que um concurso: é um laboratório de sentidos e narrativas coletivas. Observando quem foi citado pela Sala Stampa, é possível mapear tendências sonoras, mas também leituras simbólicas que circulam entre crítica e público.
Para quem acompanha a competição com olhar crítico, a lista anunciada na primeira noite oferece pistas sobre o que pode ressoar no cenário cultural italiano e além. Cada canção citada carrega um pequeno universo: da intimidade narrativa de Arisa ao comentário social subjacente nas colaborações contemporâneas. Em suma, estes primeiros sinais compõem um roteiro oculto, uma semiótica do viral que vale ser observada com atenção nos próximos dias.
Fique atento às próximas votações e à publicação das posições finais: Sanremo continua a nos falar, não apenas como entretenimento, mas como um índice do clima cultural que atravessa a Europa neste início de 2026.




















