Na noite desta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, o palco do Ariston volta a ser o epicentro do espetáculo e do debate cultural: é a vez da segunda serata do Festival de Sanremo 2026. Depois de uma primeira noite que apresentou todos os concorrentes, hoje sobem apenas metade dos Big inscritos — 15 artistas que prometem desenhar novos contrapontos do roteiro musical que estamos acompanhando esta semana.
Essa divisão entre as noites, além de ser um artifício logístico, funciona como um exercício de ritmo narrativo: o festival, como um filme em dois atos, escolhe espalhar os seus protagonistas ao longo da programação, permitindo ao público e à crítica observar nuances e reavaliações. No sentido mais amplo, o que acontece em Sanremo é sempre um espelho do nosso tempo, onde canções, imagens e escolhas vocais reverberam além do palco.
Os 15 artistas que se apresentam hoje no Ariston são:
- Bambole di Pezza
- Chiello
- Dargen D’Amico
- Ditonellapiaga
- Elettra Lamborghini
- Enrico Nigiotti
- Ermal
- Fedez e Masini
- Fulminacci
- J Ax
- Lda e Aka Seven
- Levante
- Nayt
- Patty Pravo
- Tommaso Paradiso
Para os que seguem o festival com olhar mais atento, é interessante notar como a seleção de cada noite pode influenciar a recepção: misturar nomes estabelecidos com vozes emergentes cria um fluxo de expectativa — uma espécie de reframe que reordena memórias afetivas e atualiza tendências sonoras. Hoje veremos duetos, retornos e nomes que, por sua trajetória, carregam consigo camadas históricas que dialogam com a cultura pop contemporânea.
Já amanhã será a vez dos outros 15 concorrentes, que completam o quadro dos Big. No line-up da quinta-feira estão:
- Arisa
- Eddie Brock
- Francesco Renga
- Leo Gassmann
- Luché
- Malika Ayane
- Mara Sattei
- Maria Antonietta e Colombre
- Michele Bravi
- Raf
- Sayf
- Sal Da Vinci
- Samurai Jay
- Serena Brancale
- Tredici Pietro
Em tempo de festivais, cada performance funciona como um pequeno ato de memória coletiva: há canções que buscam consolo, outras que provocam e algumas que tentam reescrever a própria imagem do intérprete. Como analista cultural, vejo em Sanremo não apenas uma competição musical, mas um laboratório de narrativas onde o entretenimento se transforma em eco cultural, refletindo inquietações sociais e modulações estéticas.
Se você acompanha ao vivo, preste atenção nos arranjos e na produção visual — são pistas sobre as intenções artísticas e sobre como essas músicas pretendem dialogar com um público que, cada vez mais, consome música em múltiplas camadas. Amanha, quando a segunda metade dos Big subir ao palco, teremos um panorama ainda mais completo do mapa sonoro que Sanremo desenha para 2026.
Fique ligado: a noite promete surpresas e momentos que, certamente, merecerão um segundo olhar crítico. Afinal, Sanremo continua sendo um roteiro oculto da sociedade, onde cada verso pode revelar mais do que a melodia aparenta.




















