Elefante di Bernini, a emblemática escultura que sustenta o obelisco na Piazza della Minerva, em Roma, foi oficialmente restaurado após o desprendimento da sua zanna esquerda ocorrido em 16 de fevereiro. A intervenção de conservação foi realizada pela Sovrintendenza Capitolina, em colaboração com a Soprintendenza Speciale di Roma do Ministero della Cultura, que exerceu a alta vigilância e aprovou tanto o projeto quanto a execução dos trabalhos.
O restauro foi executado no dia 23 de fevereiro, seguindo as diretrizes indicadas pelo Ministro da Cultura, Alessandro Giuli, que logo após o incidente manifestou a expectativa de uma intervenção rápida e cuidadosa para devolver integridade à obra. A rapidez da resposta institucional confirmou a prioridade atribuída à conservação do patrimônio público, sobretudo quando se trata de peças que funcionam como pontos de identidade urbana e memória coletiva.
Mais do que um conserto pontual, a recuperação do Elefante di Bernini reafirma a responsabilidade de proteger o tecido simbólico da cidade — essa escultura barroca, concebida por Gian Lorenzo Bernini e instalada ao lado de Santa Maria sopra Minerva, atua como um espelho do nosso tempo: testemunha da sobreposição entre história, turismo e vida cotidiana. O incidente com a zanna chamou atenção para o frágil equilíbrio entre acessibilidade pública e preservação técnica.
Ao observar esse episódio, é possível enxergar o restauro não apenas como um ato técnico, mas como um pequeno ensaio sobre como tratamos nossos ícones. A coordenação entre órgãos locais e nacionais, com a supervisão política do Ministério, revela um roteiro institucional que busca transformar um episódio de risco em oportunidade de reafirmação do compromisso com o patrimônio. Trata-se de um reframe da realidade: um dano que se converte em mobilização de expertise e visibilidade pública.
Para os que circulam pela Piazza della Minerva, o retorno do elefante em sua forma íntegra será, também, uma atualização do imaginário urbano — como se o cenário de transformação da cidade recebesse uma pequena, porém significativa, reescrita. A atenção continua sendo necessária: a conservação preventiva, a vigilância constante e a educação cívica são o roteiro oculto que garante que símbolos como o elefante de Bernini sigam conectando passado e presente sem que sejam reduzidos à vulnerabilidade.
Em suma, o restauro concluído em 23 de fevereiro é um alívio técnico e um gesto simbólico. A peça voltou ao seu lugar, mas a cena permanece como lembrete de que o patrimônio público é um set em contínua produção — e que cada reparo é também uma edição da nossa memória coletiva.






















