Por Marco Severini — Em um gesto de resposta imediata às consequências trágicas do incêndio de Ano Novo em Crans-Montana, a Confederação Suíça propôs um auxílio único de 50.000 francos (aproximadamente 55 mil euros) destinado aos feridos e às famílias das vítimas. A medida, encabeçada pelo Conselho Federal, deverá ser apreciada pelo Parlamento em votação prevista para março, sob o regime de urgência.
O episódio, que ceifou a vida de 41 pessoas — entre elas 6 jovens italianos — e deixou outras 115 feridas, impõe uma resposta que combine rapidez administrativa e sensibilidade diplomática. A proposta federal complementa o auxílio emergencial já anunciado pelo Cantão do Valais, que destinou 10.000 francos como socorro imediato.
Do ponto de vista institucional, a opção por um pagamento único e decidido de forma célere visa reduzir os atritos burocráticos que costumam transformar a assistência em um labirinto. Em termos de Realpolitik, é um movimento calculado: concede alívio financeiro imediato e sinaliza que os alicerces da solidariedade pública permanecem operacionais, evitando que a crise se transforme em um problema de confiança interna e externa.
Como analista que observa o tabuleiro geopolítico com lentes de arquitetura e cartografia, vejo nesta decisão a combinação de dois vetores. Primeiro, a necessidade humanitária de dar suporte tangível às vítimas. Segundo, o imperativo estratégico de preservar relações bilaterais — em particular com a Itália — e a legitimidade das instituições suíças perante a opinião pública e os governos estrangeiros quando cidadãos de outros países estão entre os mortos.
Permanece, contudo, uma questão prática de execução: a forma como os 50.000 francos serão distribuídos, os critérios de elegibilidade, e a rapidez do desembolso. A experiência mostra que o diabo mora nos detalhes administrativos; portanto, a proposta de urgência é inteligente, mas terá de ser acompanhada por mecanismos claros de entrega e acompanhamento psicossocial e jurídico.
Além disso, a resposta financeira, por mais necessária que seja, não substitui medidas estruturais de prevenção e investigação. A arquitetura das responsabilidades — proprietários, operadores, controle de segurança — deverá ser reconstruída sobre bases mais sólidas, para que o país minimize riscos futuros. Trata-se de um redesenho das fronteiras invisíveis da responsabilidade pública e privada.
Recomendo atenção ao desenrolar da votação parlamentar em março e à publicação dos decretos executivos que disciplinarão o envio dos recursos. Este é um movimento decisivo no tabuleiro da política interna suíça e nas relações transfronteiriças: a moeda do gesto — económica e simbólica — pesará tanto quanto sua implementação técnica.
Marco Severini — Espresso Italia






















