Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma noite em que a cidade parece respirar mais devagar, a Centrale operativa do 118 de Turim coordenou um esforço em cadeia que resultou em cinco retiradas de órgãos em poucas horas entre Piemonte e a Valle d’Aosta. Como numa colheita apressada pela manhã, cada gesto médico foi orientado pelo tempo — o tempo precioso dos órgãos e o tempo interno do corpo que não espera.
A primeira solicitação chegou à Central às 1h27: uma equipa vinda de fora da região foi ativada para o pré‑levo de um coração. O grupo pousou e, depois de concluir o procedimento, rumou de volta pela manhã a partir do aeroporto de Caselle. Minutos depois, por volta das 2h00, a Central recebeu outra chamada para organizar o transporte de duas equipas dirigidas ao hospital de Ivrea para o pré‑levo de fígado e pulmões.
Às 3h00 houve nova ativação: uma equipa de epato‑cirurgiões chegou de Milão para um segundo procedimento de pré‑levo de fígado. Em cada etapa, a prioridade foi a mesma — sincronizar rotas, equipas e equipamentos para preservar a viabilidade dos órgãos. Para isso, a Central adotou soluções práticas e humanas, incluindo a mobilização da Cruz Vermelha para encontrar um veículo adequado ao deslocamento de vários profissionais.
Por volta das 8h30, o pulmino disponibilizado acompanhou duas equipas que seguiram para Aosta para um pré‑levo de ossos e pele, um tipo de intervenção que exige a presença de numerosos médicos e materiais dedicados. O trabalho em rede com o Centro regional de transplantes do Piemonte e Valle d’Aosta foi essencial para garantir rapidez e segurança em todas as fases: do transporte ao bloqueio cirúrgico, da preservação ao embarque dos órgãos.
Às 13h30, a rotina de coordenação ainda não havia terminado: o Centro regional de transplantes solicitou uma nova ativação, reforçando como, numa única jornada, vários atos de generosidade humana e logística técnica se entrelaçam para oferecer uma segunda chance a doentes em lista de espera.
Esta sequência de operações recorda que o sistema de transplantes funciona como uma paisagem em movimento — árvores e raízes que sustentam uma colheita contínua de esperança. Por trás de cada transferência há horas de comunicação, decisões rápidas e o trabalho paciente de equipas que conhecem a geografia do tempo.
Quando olhamos para estas ações com o olhar sensível de quem vive a Itália do dia a dia, percebemos a beleza discreta do cooperar: ambulâncias, aeroportos, equipes quirúrgicas, associações como a Cruz Vermelha e centros regionais alinhados por um objetivo comum. É um lembrete de que, além da técnica, o transplante é um ato social e humano — uma respiração coletiva que mantém vidas em movimento.
Seja para profissionais da saúde, doadores e suas famílias, ou para quem acompanha políticas públicas de bem‑estar, a mensagem é clara: a prontidão e a coordenação salvam vidas. E, por entre turnos e voos, Turim e a região vizinha mostraram, mais uma vez, como a precisão do tempo pode transformar perda em esperança.






















