Hoje, ao World Spay Day, voltamos nosso olhar para uma prática clínica que ilumina caminhos de bem-estar coletivo: a esterilização de cães e gatos. Mais do que uma intervenção veterinária, é uma estratégia ética e sanitária para reduzir nascimentos indesejados, combater o aumento do número de animais vagando pelas ruas e prevenir doenças que comprometem a vida de fêmeas e machos.
Em conversa com a reportagem da Espresso Italia, a médica-veterinária Monica Pais — autora e voz ativa nas redes, cofundadora da Clínica Veterinária Duemari em Oristano com o marido e colega Paolo Briguglio, e presidente da onlus Effetto Palla — lembra que, apesar de ser um procedimento cirúrgico, a esterilização é realizada com segurança quando conduzida por profissionais qualificados. “É fundamental confiar em clínicas sérias”, afirma Pais, que com sua equipe atende centenas de animais de rua todos os anos.
Os benefícios médicos são claros: para cadelas e gatas, a remoção dos órgãos reprodutivos reduz de forma quase absoluta o risco de tumores mamários e previne a temida piometra (infecção uterina), além de eliminar os períodos de cio — quando fêmeas fogem, sofrem traumas ou enfrentam partos arriscados. Nos machos, a castração diminui a tendência a vagar, brigas e disputas territoriais, e elimina o risco de câncer testicular, além de minimizar problemas prostáticos.
Além da proteção individual dos animais, a esterilização tem efeito direto sobre o cenário social: menos filhotes indesejados significam menos abandono e pressão sobre abrigos e serviços públicos. Organizações especializadas relatam aumentos nas entregas de animais a abrigos — números que, em algumas regiões, ultrapassam a casa das dezenas de milhares ao ano — o que evidencia a necessidade de políticas públicas coordenadas.
O custo do procedimento e a disponibilidade de serviços veterinários nas redes públicas são entraves recorrentes. Aqui, a luz se faz por meio de iniciativas integradas: programas municipais de esterilização a baixo custo, mutirões organizados por ONGs e parcerias com clínicas privadas ampliam o acesso e reduzem desigualdades. “A colaboração entre instituições, ONGs e cidadãos é essencial para semear mudança duradoura”, enfatiza Pais.
Há também um argumento ético e econômico: prevenir é mais humano e menos oneroso do que gerir superpopulação, doenças transmissíveis e abandono. Investimentos em campanhas educativas, identificação e registro (microchip) e programas de adoção responsáveis tornam-se ferramentas de construção de um horizonte límpido para animais e comunidades.
Em termos práticos, a recomendação dos especialistas ouvidos pela Espresso Italia é clara: planejar a esterilização com acompanhamento veterinário, considerar a melhor idade e as condições de saúde do animal, e informar-se sobre programas públicos e ONGs locais que oferecem suporte financeiro ou serviços gratuitos.
Ao celebrarmos o World Spay Day, é momento de iluminar novos caminhos de responsabilidade coletiva. A esterilização não é apenas um ato cirúrgico — é um gesto de cuidado que protege vidas, cultiva bem-estar e contribui para cidades mais seguras e compassivas. Ao unir ciência, políticas públicas e empatia, semeamos inovação e tecemos laços sociais que perduram.
Por Aurora Bellini — Espresso Italia





















