Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O juiz para as inovações penais (gip) de Milão, Domenico Santoro, decretou a custódia cautelar em regime de prisão para o assistente-chefe da polícia Carmelo Cinturrino, investigado pelo homicídio de Abderrahim Mansouri, morto com um tiro em 26 de janeiro no boschetto di Rogoredo.
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o magistrado não confirmou, contudo, o ato de detenção inicial (fermo) com base no argumento de risco de fuga apresentado pela acusação de Milão, não considerando esse perigo demonstrado de forma suficiente. Ainda assim, o juiz fundamentou a prisão com base em outros elementos avaliados no processo.
O despacho do gip Domenico Santoro ressalta que as “específicas modalità e circostanze dei fatti” e a chamada “negativa personalità” do indiciado evidenciam um risco concreto e atual de que, se não submetido a uma medida cautelar, o investigado possa “comettere ulteriori gravi reati della stessa specie”, inclusive com o uso de armas ou outros meios de violência pessoal, ou mesmo em âmbito de criminalidade organizada. Em termos práticos, o magistrado apontou perigo de continuidade delitiva mais do que risco de fuga.
Entre os elementos que pesaram contra Cinturrino, o gip destaca que ele disparou contra uma pessoa que, na avaliação do juiz, se encontrava em posição de fuga e que não representava uma fonte efetiva de perigo ou sequer de ameaça. Além disso, o ordenamento judicial registrou que o investigado, após mandar um colega ao comissariado para buscar uma maleta contendo a réplica de uma pistola a salvas, teria obtido meios que possibilitaram a alteração da cena do crime, com o objetivo de simular uma hipótese de legítima defesa.
Esses pontos técnicos constam da ordem de prisão e foram avaliados pelo magistrado com base em documentos, depoimentos e provas periciais constantes nos autos. Como repórter com experiência em apuração e cruzamento de dados, registro que o conjunto probatório — segundo a ótica do juiz — apontou não apenas um fato isolado, mas indícios de condutas pós-evento voltadas a influir na investigação.
O advogado de defesa, Piero Porciani, afirmou em audiência que o seu cliente “quer que se faça clareza” e que pediu desculpas “a todas as pessoas em quem traiu a confiança”. Porciani declarou ainda que Cinturrino “admitiu as suas responsabilidades” e mostrou arrependimento, sobretudo pela conduta posterior ao disparo. O defensor sustentou que o policial teria efetuado o tiro porque teve medo.
O caso segue em investigação sob a rubrica de homicídio, com a prisão preventiva agora determinada pelo gip como medida cautelar para resguardar a ordem pública e prevenir a prática de novos crimes semelhantes. A tramitação prosseguirá com novas diligências e possibilidade de produção de provas técnicas adicionais.
Registro, por fim, que a cobertura seguirá com apuração contínua, priorizando o confronto de documentos oficiais e depoimentos, para oferecer ao leitor a realidade traduzida dos fatos, limpa de ruídos e especulações.






















