Parada Planetária em 28 de fevereiro de 2026: seis planetas desenham um corredor no céu
Aos olhos do observador desde a Terra, os céus vão oferecer um espetáculo de geometria aparente: a Planetary Parade, ou parada planetária, reunirá seis mundos num traço quase linear sobre o horizonte oeste na noite de 28 de fevereiro de 2026. Esse arranjo é uma projeção visual, resultado das posições relativas de cada planeta em suas órbitas em relação ao Sol e à Terra — não um alinhamento tridimensional real.
Os protagonistas da cena serão Júpiter, Urano, Saturno, Netuno, Vênus e Mercúrio. A partir do entardecer, quem olhar para o horizonte oeste poderá notar, primeiro, os pontos mais brilhantes — Vênus e Mercúrio — e, em seguida, Saturno e Júpiter. Urano e Netuno exigirão equipamento, binóculos ou telescópio, especialmente em céus submetidos ao efeito da poluição luminosa.
Já em 23 de fevereiro a Lua crescente, com cerca de 43% de disco iluminado, aproximou-se de Urano — distância aparente de 5°21′ — criando quadros visuais favoráveis para quem usa binóculos ou aplicativos de astronômicos.
Fenômenos como esse não são inéditos: em junho de 2022 cinco planetas se alinharam de forma visível, e em 2024 houve um desfile planetário de configuração semelhante. A próxima grande formação aparente do tipo é prevista apenas para 2040. Do ponto de vista físico, porém, trata-se de uma sobreposição bidimensional do nosso ponto de observação.
Ao longo da história, esses «trens planetários» serviram de sinal para interpretações culturais e sistêmicas. Os babilônios os registravam em tabuletas cuneiformes, associando planetas a deuses como Marduk e Ishtar; maias e astecas integravam-nos a calendários rituais; na China imperial eram vistos como presságios dinásticos ou de crise; na Grécia clássica, filósofos como Aristóteles teceram reflexões sobre esferas celestes perfeitas. Essas narrativas mostram como o céu funciona como uma camada de infraestrutura simbólica para sociedades humanas.
No campo da astrologia contemporânea, o evento de 28 de fevereiro é descrito por alguns praticantes como um momento de intensificação — um suposto “portal decenal” onde energias arquetípicas se sobrepõem, favorecendo revisões, decisões e transformações coletivas e individuais. Interpretações comuns listam efeitos atribuídos a cada planeta:
- Mercúrio: clareza, diálogos reveladores e surfacing de verdades que exigem ajustes na comunicação.
- Vênus: foco em relacionamentos, valores e necessidade de conexões autênticas ou mudanças de dinâmicas.
- Júpiter: impulso de expansão e visão, com atenção ao risco de exageros.
- Saturno: chamada à disciplina, estruturação e revisão de bases.
- Urano: potencial de reinvenção e rupturas disruptivas na carreira ou identidade.
- Netuno: aumento de inspiração e intuição, acompanhado de possibilidade de confusão ou dissolução de ilusões.
Fontes populares de leitura astrológica, como canais independentes e plataformas de consulta, interpretam esse agrupamento como gatilho para ciclos de transformação. Do ponto de vista científico, entretanto, o que muda é apenas a nossa percepção: uma sincronização visual, não uma alteração na mecânica celeste.
Para quem pretende observar: escolha um local com horizonte oeste desobstruído, longe de luzes urbanas. Binóculos simples melhorarão a visualização de Urano e telescópios amadores poderão revelar Netuno. Use aplicativos de mapa estelar para identificar constelações e coordenadas locais — a cena é mais um convite à contemplação do sistema solar como uma malha dinâmica do que um evento que afete diretamente nossas infraestruturas terrestres.
Em termos simbólicos, a parada planetária funciona como um lembrete: assim como redes e sistemas urbanos têm momentos de sincronização e latência, o céu também exibe padrões que nos ajudam a marcar tempo e repensar prioridades. Não é espetáculo sobrenatural, mas uma janela para entender camadas de interação entre observador, instrumento e cosmos.






















