Por Alessandro Vittorio Romano — A pesquisa revela um contraste inquietante: enquanto muitos vivem as rotinas médicas com a regularidade de uma estação bem marcada, o risco oculto do Herpes Zoster segue fora do radar nas conversas com os profissionais de saúde. Um levantamento global realizado pela consultoria Human8 a pedido da Gsk, divulgado durante a Shingles Action Week 2026 (23 de fevereiro a 1º de março), mostra que metade dos adultos over 50 que convivem com doenças crônicas não aborda o tema com seu médico.
Foram ouvidas 6.103 pessoas em 10 países, todas com pelo menos uma condição crônica – entre elas doenças cardiovasculares, diabetes (tipo 1 ou 2), doença renal crônica, BPCO, asma ou outras condições com possível impacto imunológico. E o panorama é de desconexão entre exposição ao risco, percepção e ação.
A pesquisa aponta que 44% dos entrevistados têm um conhecimento considerado “médio” sobre o Herpes Zoster, enquanto 29% admitem saber “pouco ou nada” sobre doença, sintomas e potenciais complicações. Um elemento preocupante é a subestimação do vínculo entre cronicidade e maior risco de Zoster: quase metade (46%) não considera sua condição crônica como fator de risco. Entre os grupos menos conscientes destacam-se pessoas com doença cardiovascular (47%), diabetes (40%) e BPCO/asma (35%).
Além disso, 25% acreditam que sua condição crônica não afeta o sistema imunológico e, portanto, não aumenta o risco de Zoster; e mais de um terço (35%) pensa que, quando bem controlada, a doença crônica não implica maior vulnerabilidade.
“O Herpes Zoster frequentemente fica fora das conversas sobre saúde”, observa Katrina Bouzanis, diretora de Políticas e Advocacy da International Federation on Ageing. “O Zoster pode impor um peso significativo a quem já vive com patologias crônicas como cardiopatias, diabetes ou doenças renais; a Shingles Action Week é uma oportunidade para fomentar um diálogo mais informado — essencial para um envelhecimento saudável.”
As percepções sobre o impacto são altas, mas nem sempre se traduzem em ações preventivas: 72% temem hospitalização por Zoster e 78% se preocupam com as possíveis interferências na rotina diária. Entre quem já enfrentou a doença, 25% afirmam que não esperavam sua gravidade; 42% relataram dor intensa que afetou atividades cotidianas, e 33% disseram ter sido obrigados a parar de trabalhar ou a renunciar a eventos sociais.
É um paradoxo que exige atenção sensível: muitos pacientes com doenças crônicas visitam serviços de saúde com regularidade — como uma cidade que respira ao ritmo das estações — mas ainda não cultivam com os médicos a conversa sobre prevenção do Herpes Zoster. Nesse terreno, a informação age como uma colheita de hábitos saudáveis, e a vacinação pode ser uma das safras mais importantes para proteger o bem-estar na maturidade.
Para quem vive com uma condição crônica, a recomendação é clara e afetuosa: pergunte ao seu médico sobre o Herpes Zoster e sobre as opções de vacinação. Um pequeno gesto de diálogo pode evitar meses de dor e interrupção da vida quotidiana — como preparar o guarda-chuva antes da primeira chuva da estação.






















