Por Alessandro Vittorio Romano — Enquanto as estações desenham seus ritmos sobre a paisagem italiana, também o corpo humano segue um tempo interior que pede cuidado. Tecla Mastronuzzi, médica de medicina geral e responsável pela macroárea de prevenção da Società Italiana di Medicina Generale e Cure Primarie (Simg), lembra que não podemos deter o tempo, mas podemos reduzir suas marcas mais dolorosas. Em entrevista ao Adnkronos Salute, ela destaca que a principal arma contra o chamado Fuoco di Sant’Antonio é a vacinação.
Hoje, a Itália tem cerca de um terço da população com mais de 65 anos. Esse envelhecimento é como uma colheita que exige atenção: tratar essas pessoas como um bem precioso inclui protegê-las contra o Herpes Zoster. Mastronuzzi alerta que prevenir é crucial porque o Zoster não é só uma erupção cutânea. A lesão na pele é apenas a superfície; o problema maior é o que pode permanecer depois: uma dor crônica, intensa e prolongada, que por vezes perdura por anos e altera a qualidade de vida.
Além da dor, existem outras complicações significativas. O Zoster pode atingir o olho, comprometendo um órgão essencial, e aumentar a vulnerabilidade do paciente a eventos graves como AVCs e problemas cardíacos. São efeitos que ecoam na vida do indivíduo e nas relações familiares, gerando custos pessoais e sociais.
A boa notícia é que a prevenção avançou. Graças à vacina recombinante adjuvante, passamos de uma proteção parcial e seletiva para uma estratégia mais robusta e ampla, mais eficaz e segura, apta inclusive para pacientes mais frágeis. O Piano nazionale di prevenzione vaccinale prevê acesso gratuito aos 65 anos e, a partir dos 18, para pacientes com diabetes, doenças respiratórias crônicas e estados de imunossupressão, situação que pode ocorrer também na oncologia.
É aqui que a medicina geral, com sua proximidade e conhecimento do paciente, desempenha papel decisivo. O médico de família é chamado a selecionar quem tem indicação para vacinar, oferecer informação e, em muitas regiões, aplicar a vacina diretamente no consultório. Essa presença local é como a respiração da cidade: silenciosa, constante e essencial.
Mastronuzzi destaca a importância da chamada ativa. Com um simples clique nos softwares de gestão é possível identificar os pacientes elegíveis e avisá-los via mensagem quando a vacina estiver disponível. É uma alavanca prática para transformar dados em cuidado, algo que só a medicina de família consegue fazer em escala, porque reúne todas as raízes do histórico clínico.
Proteger contra o Herpes Zoster é, na prática, cuidar para que o tempo não deixe a dor como uma marca dos últimos anos. É uma escolha de prevenção que preserva autonomia, dignidade e afeto — valores que, como uma árvore bem cultivada, sustentam o bem-estar individual e coletivo.
Fonte: Adnkronos Salute. Texto adaptado e reescrito por Alessandro Vittorio Romano para Espresso Italia.






















