Por Giuseppe Borgo — Em uma manobra que redesenha parte dos alicerces da representação de direita no Parlamento Europeu, o general e ex-eurodeputado italiano Roberto Vannacci anunciou oficialmente sua entrada no grupo Esn — a Europa das Nações Soberanas, família soberanista fundada pelo AfD. O anúncio foi feito em conferência de imprensa em Bruxelas pelo presidente do grupo, o alemão René Aust.
Na capital belga, Vannacci afirmou que se reconhece “totalmente nos princípios e ideais” do grupo e disse esperar “fazer um grande trabalho” ao lado dos novos colegas. Segundo ele, a colaboração seguirá como prioridade a defesa da soberania nacional contra o que descreveu como tendências de federalismo europeu e remover a que considera a “maior fraude” da UE: o Green Deal.
Em termos culturais e migratórios, Vannacci reiterou uma linha dura. Afirmou que o grupo pretende proteger as tradições greco-romanas que, para ele, formam os alicerces da Europa, e sustentou que a imigração não é apenas “importação de força de trabalho”, mas também de uma “cultura e civilização completamente diferentes”.
Politicamente, o movimento fornece uma peça importante na arquitetura dos direitos e alianças: Vannacci explicou que seu partido, Futuro Nazionale, é recém-criado, ainda não faz parte de coligações e “caminha sobre suas próprias pernas”. Sobre o governo em Roma, admitiu ter votado a confiança por considerá-lo “o menos pior”, mas deixou claro o objetivo de buscar “algo melhor” para a Itália e para seus filhos — uma linguagem que ecoa a retórica de renovação do espaço soberanista.
Do lado do Esn, René Aust saudou a adesão: “Para nós é um grande honra poder acolher-te no nosso grupo e esperamos uma colaboração excelente.” Aust destacou que o bloco abriu suas portas para deputados que demonstram fidelidade aos princípios fundadores, e afirmou que, após discussões sobre convergências e divergências, “existem poucas diferenças” e um denominador comum foi encontrado em política econômica e migratória.
O ingresso de Vannacci no Esn consolida um movimento que tende a compactar forças soberanistas e de ultradireita no Parlamento Europeu. Para o observador atento às pontes entre decisões de Roma e efeitos na vida cotidiana, essa integração importa: pode traduzir-se em maior coordenação contra medidas climáticas europeias, pressão por regras de migração mais restritivas e uma retórica que fortalece a construção de direitos segundo uma visão nacionalista.
Na prática, trata-se de reorganizar a bancada, realinhando deputados que saem de grupos como o dos Patrioti per l’Europa — do qual Vannacci se desvinculou ao fundar o Futuro Nazionale — em direção a um bloco nascido sob a égide do AfD. O impacto, tanto em votações sobre o clima quanto em políticas de asilo, merece acompanhamento: são as canetas, no Parlamento, que têm peso nas estruturas que moldam a cidadania e a coexistência social.
Como repórter que observa a construção das políticas públicas, seguirei monitorando os passos do novo integrante e dos seus aliados europeus — para entender como essas alianças transformarão em normas o que hoje é discurso nas conferências de imprensa.






















