Rafa Leão voltou a transformar um lance de campo em debate público. Após a derrota do Milan para o Parma, por 1 a 0, na 26ª rodada da Serie A, o atacante publicou em seu Instagram uma sequência de imagens que manifesta discordância com a decisão do árbitro Piccinini — responsável por anular e depois convalidar o gol decisivo de Troilo.
O episódio ocorreu aos 80 minutos: um escanteio cobrado por Valeri encontrou a cabeça de Troilo, que superou a marcação e mandou para o fundo da rede. Inicialmente, Piccinini anulou a jogada apontando para um suposto contato em favor do goleiro Maignan, provocado por Valenti. A decisão, no entanto, foi revista após chamada do VAR, e, depois de conferência no monitor, o gol foi validado — provocando reações acaloradas nas arquibancadas do San Siro e entre os jogadores.
Na sua conta, Rafa Leão colocou lado a lado duas imagens: a do gol anulado de Pavlović em partida anterior contra o Sassuolo — lembrado por ter sido invalidado por suposto falta em ataque — e o frame do salto de Troilo sobre Bartesaghi no lance do dérbi com o Milan. A comparação, acompanhada por reticências e, em seguida, por um retrato de grupo com a legenda “Insieme, uniti” (Juntos, unidos), funcionou como uma interpelação pública ao critério aplicado naquele momento.
As imagens em si não são conclusivas quanto à intencionalidade do bloqueio: o replay mostra um contato entre Valenti e Maignan, mas muitos observadores — e o próprio árbitro após a revisão — entenderam que o impacto foi insuficiente para justificar a anulação. Quanto ao salto de Troilo, Piccinini também considerou o choque com Bartesaghi regular, o que permitiu a validação do tento.
Como analista, é preciso olhar além do conflito imediato. A reação de Rafa Leão é parte de um cenário em que as redes sociais ampliaram o poder simbólico do atleta: a publicação não apenas questiona uma decisão técnica, mas joga luz sobre um sentimento mais amplo de insegurança quanto a critérios de arbitragem e uso do VAR. Para uma instituição como o Milan, que representa um patrimônio urbano e identitário, episódios assim reverberam na comunidade de torcedores e nas interpretações públicas sobre justiça esportiva.
Não se trata apenas de um gol anulado ou confirmado — é uma disputa de narrativas. A confiabilidade das ferramentas de revisão, o treinamento dos árbitros para uniformizar critérios e o papel dos jogadores como atores midiáticos convergem em lances que, antes, eram consumidos apenas pelo público presente. Hoje, cada frame vira prova e cada protesto, comentário público.
Em campo, o Parma comemorou um resultado que pode ter impacto na sua permanência na categoria; fora dele, o episódio alimenta o debate sobre como o futebol italiano — e suas instituições — gerenciam controvérsias que misturam técnica e percepção. Rafa Leão, com sua postagem, não apenas expressou frustração: reafirmou que o jogo moderno é disputado também nas redes, onde decisões de arbitragem ganham dimensão política e simbólica.
Otávio Marchesini – Repórter de Esportes, Espresso Italia






















