Lindsey Vonn anunciou em um vídeo publicado no Instagram que chegou a correr o risco de amputação da perna esquerda após a queda sofrida durante as competições de Milão-Cortina 2026. A ex-atleta, visivelmente emocionada, relatou que sofreu múltiplas fraturas no membro e que passou por um período crítico que exigiu intervenções médicas complexas.
Vonn explicou que, nas primeiras fases do tratamento na Itália, foram realizadas várias procedimentos médicos que não foram suficientes para estabilizar completamente a situação. Posteriormente, foi transferida para os Estados Unidos, onde foi submetida a uma cirurgia de aproximadamente seis horas. Em seu depoimento, a esquiadora agradeceu ao cirurgião que, em suas palavras, “literalmente salvou a perna” e a impediu de ser submetida à amputação.
O quadro inicial incluiu a chamada síndrome compartimental, uma condição que coloca em risco a integridade do membro afetado ao aumentar a pressão nos compartimentos musculares, comprometendo o fluxo sanguíneo e a função dos tecidos. “Era tudo a pedaços”, disse Vonn ao anunciar sua alta hospitalar, a qual ocorre após quase duas semanas praticamente imobilizada em um leito hospitalar.
Ela descreveu ainda os efeitos da perda de sangue: baixos níveis de hemoglobina e uma dor intensa que, segundo a própria, estava difícil de controlar. Apesar do sofrimento, Vonn assumiu uma postura serena: “Não é o modo como eu queria concluir as Olimpíadas”, admitiu, mas destacou que não guarda arrependimentos e que sente-se inspirada pela dedicação dos companheiros de equipe.
Quanto ao plano de recuperação, a atleta traçou um cronograma realista: nos próximos dias fará a transição da cadeira de rodas para as muletas; o tempo estimado para a consolidação óssea é de cerca de um ano. Depois disso, decidirá sobre a possível remoção dos implantes metálicos e um novo procedimento para reparar o ligamento cruzado anterior.
O episódio de Vonn abre uma reflexão mais ampla sobre o risco inerente aos esportes de alto impacto e sobre a centralidade da medicina esportiva em eventos de grande visibilidade como os Jogos Olímpicos. Como observador das estruturas que sustentam o esporte moderno, cabe lembrar que além do gesto atlético existe uma rede — hospitais, equipes médicas, políticas de transferência e decisões institucionais — que determina muitas vezes o desfecho humano por trás das manchetes.
Ao se despedir do ambiente hospitalar e se transferir para um hotel, Vonn ressaltou o alívio do avanço, mas também a longa estrada pela frente: reabilitação intensa, operação futura e a reconstrução gradual da confiança física. “Foi apenas um pequeno contratempo”, concluiu, em tom que mistura pragmatismo e esperança — traços que sempre marcaram sua carreira e que agora iluminam o desafio de reconstruir o corpo e a narrativa pessoal após Milão-Cortina 2026.





















