Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes. A circulação de relatos sobre furtos realizados por meio de POS junto a cartões contactless ganhou atenção nas últimas semanas. Segundo levantamento da Unione Nazionale Consumatori (UNC), no âmbito do projeto CARE — Conosci, scegli, proteggi, financiado pelo MIMIT, criminosos estariam usando dispositivos de pagamento portátil para efetivar micro-transações sem necessidade de PIN, aproximando o terminal das roupas ou bolsas da vítima em locais lotados.
O fundamento tecnológico dessa prática é a comunicação por NFC (Near Field Communication). O protocolo só permite a troca de dados quando o cartão e o terminal estão a poucos centímetros de distância — a mesma técnica que usamos ao encostar um cartão em um aparelho para pagar sem inserir o chip. A pergunta que se impõe é: dá para ser vítima sem perceber? A resposta é técnica e exige precisão: sim, é possível, mas a probabilidade de sucesso do golpe é limitada por várias contingências.
Da apuração e do cruzamento de informações com especialistas e com a UNC, resulta um raio-x das condições que o ladrão precisa para consumar o furto:
- Haver apenas um cartão contactless detectável no interior da carteira ou da bolsa. Se existem outras etiquetas RFID, como bilhetes de transporte, cartões de academia, badges ou cartões de fidelidade, o terminal tende a bloquear a leitura.
- Ausência de objetos metálicos que causem interferência no sinal — moedas e chaves dentro da carteira já perturbam a operação.
- Tempo e proximidade: o criminoso tem cerca de 30 segundos para completar a transação, aproximando o POS a centímetros do cartão. Se a carteira estiver em bolso externo ou se o cartão não estiver na posição mais externa, a distância se torna impeditiva.
- Geralmente os valores digitados são baixos (frequentemente abaixo de 50 euros), evitando o pedido de PIN e facilitando a execução rápida.
Na prática, portanto, não se trata de uma magia tecnológica onipresente, mas de uma sequência de fatores que, se alinhados, tornam a fraude possível. A medida mais traumática para o criminoso continua sendo o furto físico da carteira: com a posse do cartão, as micro-transações tornam-se triviais.
Como se defender: a orientação da UNC e de especialistas financeiros é direta e prática — medidas simples reduzem substancialmente o risco.
- Ativar notificações em tempo real via SMS ou aplicativo bancário para todas as transações, inclusive as contactless de baixo valor. A notificação permite o bloqueio rápido da operação junto à instituição financeira.
- Usar carteiras com proteção eletromagnética (conhecidas como carteira blindada ou porta-cartões RFID-blocking), que isolam o cartão de leituras não autorizadas.
- Carregar os cartões no wallet do celular (Apple Pay ou Google Pay) e manter os cartões físicos em casa, quando possível; a autenticação biométrica ou por senha dificulta o uso indevido.
- Evitar guardar o cartão contactless em bolsos externos ou em locais de fácil acesso na multidão; preferir bolsos internos e bolsas fechadas.
- Ao receber uma notificação de transação não reconhecida, contatar imediatamente o banco para contestar e bloquear o cartão.
O veredito técnico: a fraude existe, mas não é algo que se realize com naturalidade em qualquer ambiente. Exige técnica, oportunidade e condições físicas específicas. A recomendação jornalística que emerge da apuração in loco e do cruzamento de dados é a de reduzir a exposição por meio de liberdade de escolha (usar wallets virtuais), barreiras físicas (carteiras blindadas) e monitoramento ativo (notificações bancárias). Isso traduz a realidade em medidas práticas — sem pânico, mas com pragmatismo.
Giulliano Martini — Espresso Italia. Fatos brutos, verificados e acessíveis: a segurança do seu dia a dia traduzida em prevenção.





















