Por Chiara Lombardi — Em mais um movimento pensado como uma cena cuidadosamente coreografada, Giorgia Cardinaletti, jornalista e apresentadora do TG1, foi anunciada como co-condutora da noite final do 76º Festival de Sanremo. O anúncio, lançado ao vivo pelo próprio Carlo Conti — diretor artístico e maestro desta edição — teve o tom de um gesto institucional: restabelecer a ponte entre notícia e espetáculo num palco que é também um espelho da nossa memória coletiva.
Feito em ligação direta com o TG1, o anúncio chega a 72 horas da abertura oficial do festival, como uma peça a mais do mosaico curatorial dedicado a Pippo Baudo. A escolha de Cardinaletti, rosto conhecido da informação pública italiana, sugere um reframe interessante: levar para a cerimônia de encerramento a credibilidade e a linguagem do jornalismo, imprimindo à festa uma narrativa que se confunde com a história cultural do país.
Além da presença de Giorgia Cardinaletti ao lado de Carlo Conti e Laura Pausini, a noite reserva os tradicionais Prêmios à Carreira, coroando figuras centrais da canção italiana. O diretor artístico anunciou, também em conexão com o TG1, a homenagem a três nomes que moldaram diferentes capítulos da música nacional: Fausto Leali, símbolo da tradição melódica; Mogol, autor cuja obra é tecido da canção italiana; e Caterina Caselli, cantora e produtora que deixou marcas indeléveis no mercado musical.
Mais do que um ato protocolar, a atribuição destes prêmios funciona como um refrão: lembrar que Sanremo não é apenas competição, mas arquivo vivo. Ao incluir uma figura da notícia entre os apresentadores da final, o festival apresenta um pequeno ensaio sobre memória e presente — como se o palco fosse uma câmara onde imagens, sons e relatos se encontram para compor o retrato do país.
Do anúncio feito ao vivo no TG1 até a própria curadoria que celebra Pippo Baudo, a edição 2026 parece desenhar um roteiro que privilegia referências históricas e discursos de legitimidade. A presença de Giorgia Cardinaletti pode ser lida, então, como um gesto simbólico: transportar a autoridade do jornalismo para dentro do show, para que a noite final fale também de memória coletiva, repertório e responsabilidade cultural.
Para o público, resta aguardar como essa convivência entre informação e entretenimento se manifestará no palco: se em pequenas cenas de entrevista, em quadros narrativos ou em momentos em que a canção encontrar o comentário público. Sanremo, mais uma vez, se oferece como espelho do nosso tempo — e a escolha de apresentadores e laureados revela o roteiro oculto de uma edição que dialoga com passado e presente.






















