Por Aurora Bellini — Em uma trajetória que une sensibilidade estética e visão estratégica, Rebecca Baglini retorna ao Festival de Sanremo 2026 com um projeto que ultrapassa os limites do styling. Como stylist, creative director e Ceo & Founder do estúdio StyledByMe, Rebecca assume a direção criativa integrada de apresentações que conectam moda, música, arte e sociedade.
Ela não fala em “escolher um vestido”: o que propõe é construir uma narrativa coerente e duradoura — um verdadeiro sistema estético que se desenvolve noite após noite no palco do Ariston. “Meu trabalho não é tapar, é revelar: partimos da canção, decodificamos sua alma e depois pensamos como traduzir isso em imagem, gesto e presença”, explica Rebecca, numa voz que ilumina possibilidades e responsabilidades.
O projeto acompanha três artistas em competição: Arisa, Malika Ayane e Dargen D’Amico. Para cada um, a equipe encena uma direção criativa completa — da construção de identidade visual às escolhas de comunicação e fotografia — com atenção ao que o artista deseja comunicar e ao contexto cultural em que a canção existe.
“Não se trata de vitrines e brilhos vazios”, diz Rebecca. “É um trabalho de camadas, de construção. Envolvemos uma equipe de quinze pessoas; são meses de pesquisa, ensaios e experimentação. Às vezes começamos em dezembro, muitas vezes em janeiro: há dias de dez horas de dedicação, porque estamos montando uma máquina que pensa com profundidade, não apenas com superfície.”
Para Baglini, Sanremo continua sendo algo maior que um programa de TV: é um rito coletivo, um espelho da história da música e do vestuário, um encontro entre gerações. “É um território onde a imagem se transforma em linguagem — e essa linguagem precisa falar com verdade. Quero que cada look gere uma camada de significado, que amplifique a canção e ilumine novas leituras.”
No processo criativo, Rebecca descreve uma abordagem colaborativa: ouvir a música, desmontá-la, interiorizá-la e, então, pintar sobre a tela que é o palco. “O styling aparece como posicionamento cultural. Não é uma sobreposição, é uma tradução: permitimos que a mensagem se torne mais nítida, mais potente.”
Além da dimensão performativa, há também um compromisso com a memória e com o impacto social do que se apresenta. “Quando pensamos em imagem pública”, afirma, “semear inovação é também pensar no legado — no que ficará para a audiência, para a indústria, para os artistas.”
O trabalho de StyledByMe em Sanremo não é episódico. É uma curadoria que se pretende contínua: criar uma coerência visual entre noite e noite, entre entrevista e apresentação, entre palco e imagem pública. É disso que fala quando repete: “Não se escolhe um vestido, constrói-se um sistema.”
Enquanto a noite do Ariston se aproxima, Rebecca e seu time ajustam detalhes, experimentam tecidos, luzes e silhuetas — como jardineiros de um grande jardim cênico, cultivando formas que possam florescer ao contato da música. É uma visão que ilumina caminhos, que confere sentido e que revela novos horizontes para a relação entre moda e performance musical.
Em um festival que é espelho e encruzilhada de gerações, a proposta de Baglini é clara e generosa: transformar a imagem em linguagem, para que cada artista fale com sua verdade e chegue ao público com a intensidade de uma ideia bem articulada. Assim se tece um legado: noite após noite, nota após nota, luz após luz.






















