Por Riccardo Neri — A Sony Interactive anunciou a decisão de encerrar as operações do estúdio texano Bluepoint Games, com fechamento definitivo previsto para março. A medida, comunicada por Hermen Hulst, CEO do business group, resume uma mudança estratégica que prioriza a racionalização de recursos diante da pressão dos custos de desenvolvimento e de um mercado com crescimento desacelerado.
Fundamental para os padrões técnicos de remakes e remasterizações — responsável por títulos reconhecidos como Shadow of the Colossus e Demon’s Souls — a Bluepoint Games havia sido incorporada ao guarda-chuva das PlayStation Studios em setembro de 2021. Nos anos subsequentes, o estúdio participou do ciclo de lançamento do hardware PlayStation 5 e ofereceu suporte em projetos de grande escala, incluindo trabalho ligado a God of War Ragnarok.
No comunicado oficial, Hulst aponta a escalada dos custos de produção como fator central: projetos com complexidade técnica crescente exigem equipes maiores, ciclos mais longos e orçamentos que, em alguns casos, tornam-se inviáveis. Entre os eventos que antecederam a decisão está a cancelamento, em janeiro de 2025, de um projeto ambicioso em formato live service baseado no universo de God of War, em desenvolvimento desde 2022. Essa interrupção ilustra como apostas de longo prazo podem alterar rapidamente os balanços internos e a viabilidade econômica de estúdios especializados.
A multinacional declarou que tentará realocar parte dos profissionais afetados dentro de sua rede global de estúdios, quando possível. Trata-se de uma abordagem típica de reestruturação: preservar capital humano e conhecimento técnico, mas concentrar recursos onde o retorno estimado é mais favorável. Ainda assim, a perda da equipe de Austin representa a retirada de um dos alicerces digitais da indústria de remakes, uma camada de inteligência técnica que contribuiu para elevar padrões de qualidade no setor.
O encerramento da Bluepoint Games também envia um sinal sobre a nova arquitetura de prioridades da Sony: menos tolerância a linhas de produtos que demandem grande investimento sem garantias claras de crescimento. Mesmo com sucessos comerciais recentes dentro do portfólio — citados internamente como Ghost of Yotei e Death Stranding 2: On the Beach — a corporação optou pela racionalização, privilegiando alocação de capital e eficiência operacional.
Do ponto de vista sistêmico, esse movimento é mais do que o fechamento de um estúdio; é um redesenho do mapa de infraestrutura criativa da indústria. Estúdios especializados funcionam como nós de alta capacidade no sistema nervoso das PlayStation Studios: quando um nó é desligado, a rede precisa realinhar rotas de competência, conhecimento tácito e processos de engenharia. A questão central para o ecossistema europeu e italiano será como essas competências serão reposicionadas: absorvidas por outros nós da rede ou dispersas, com perda de sinergia técnica.
Em curto prazo, a expectativa é por anúncios sobre realocação de talentos e possíveis transferências internas. Em médio prazo, o setor poderá ver uma consolidação maior, com foco em projetos cuja relação custo-benefício se mostre mais previsível. Para a indústria, permanece a lição clara: a infraestrutura do desenvolvimento de jogos modernos exige planejamento financeiro rígido e modelos de produto capazes de sustentar ciclos de desenvolvimento cada vez mais complexos.






















