O último levantamento da Ixè sobre as intenções de voto mostra um quadro de redistribuição entre os principais partidos italianos: o Fratelli d’Italia permanece na liderança, mas com uma leve retração, enquanto o Partito Democratico e o Movimento 5 Stelle registram crescimento. A pesquisa desenha um pódio mais compacto e evidencia movimentações que podem alterar a arquitetura eleitoral, como a entrada do novo agrupamento de Roberto Vannacci.
Segundo a Ixè, o Fratelli d’Italia confirma-se como primeiro partido, mas cai 0,2 ponto em relação a janeiro, passando para 28,9%. Atrás, o Partito Democratico da secretária Elly Schlein sobe 0,3 ponto e alcança 22,9%, reduzindo a distância para a liderança.
O Movimento 5 Stelle, liderado por Giuseppe Conte, tem um avanço mais expressivo de 0,5 ponto, atingindo 12,7%. Também progridem Forza Italia, de 8,4% para 8,8%, e a coalizão dos Verdi e Sinistra, que salta de 7,2% para 7,6%, superando a Lega, que sofre a maior perda entre os grandes partidos: recua 1,8 ponto para 6,2%.
Nas posições inferiores do espectro, Azione de Carlo Calenda aparece em 2,9%. Em destaque, o novo partido Futuro Nazionale, fundado por Roberto Vannacci, é monitorado pela primeira vez pela Ixè e estreia com 2,7%, ficando à frente de Italia Viva (2,1%), +Europa (1,5%) e Noi Moderati (1,0%).
O estudo ainda detalha a origem do eleitorado que alimenta o impulso inicial do Futuro Nazionale: a nova força teria captado 0,7 ponto do Fratelli d’Italia, 0,6 da Lega, 0,4 de Forza Italia, 0,2 de outros partidos e 0,8 ponto entre abstencionistas e indecisos. Trata-se de um movimento que desmonta, em pequena escala, alguns alicerces da coalizão de direita, enquanto contribui para a fragmentação do bloco.
Do ponto de vista eleitoral, essas variações são sinais de stress nas estruturas partidárias: o Fratelli d’Italia perde um pouco de tração, o Partito Democratico consolida um crescimento lento mas constante, e a esquerda ambientalista e socialista avança o suficiente para ultrapassar a Lega. A emergência de um novo ator no campo conservador funciona como uma ferramenta que pode derrubar pequenas barreiras dentro da base de apoio tradicional, reorganizando o mapa político.
Como correspondente que observa a construção dos direitos e a ponte entre decisões de Roma e o cotidiano das pessoas, chamo atenção para o efeito prático dessas mudanças: mesmo movimentos modestos nas intenções de voto podem alterar negociações de alianças, prioridades legislativas e o peso da caneta nas decisões que afetam serviços públicos, migração e políticas sociais. A pesquisa da Ixè oferece indicadores que partidos e cidadãos devem ler como um mapa de tendências — a base para planejar a próxima etapa da arquitetura do voto.
Em suma, o cenário apresentado pela Ixè aponta para uma direita ainda dominante em termos percentuais, mas sujeita a erosões internas; uma centro-esquerda em discreto avanço; e uma gama de pequenos partidos que, juntos, podem representar o cimento instável dessa nova configuração.






















