Americo Cicchetti, professor de Organização Empresarial na Università Cattolica del Sacro Cuore de Roma, afirmou hoje que a inovação na saúde exige mais do que tecnologia: precisa de uma mudança humana e organizacional. Em evento na capital italiana para apresentar o projeto formativo “Il futuro della cura”, voltado a profissionais de saúde, Cicchetti destacou que os investimentos recentes estão a ponto de concluir-se, mas a verdadeira transformação depende das pessoas.
Segundo o professor, nos últimos anos foram alocados recursos significativos para a transformação digital do Serviço Sanitário Nacional (Ssn). Entre as iniciativas do Pnrr que chegam à fase final estão a plataforma nacional de telemedicina, o ecossistema de dados de saúde com o prontuário eletrônico (fascicolo sanitario elettronico) e uma plataforma de inteligência artificial já em fase experimental com mais de 1.500 médicos de família.
“Inovação não funciona se não for acompanhada por mudança organizativa”, disse Cicchetti. Ele reforçou que, sem uma reestruturação dos modos de trabalho e sem capacitação, as ferramentas digitais não alcançam seu potencial. “Agora chega o verdadeiro desafio”, ressaltou: “a transformação digital, se não acompanhada por uma mudança organizativa, não consegue render o seu melhor”.
Para transformar o cuidado, segundo Cicchetti, é preciso agir nas pessoas: oferecer competências técnicas e digitais, mas também reformular o percurso de atenção. Isso implica atualizar competências organizacionais, o conhecimento dos contextos e modelos de cuidado e desenvolver habilidades de gestão e liderança que sustentem a inovação.
As competências necessárias, explicou, não se limitam ao domínio técnico. Devem incluir dimensões comportamentais, relacionais e manageriais, além de qualidades de liderança, todas diferentes das que eram exigidas no passado. É essa colheita de novas habilidades — enraizada tanto no saber técnico quanto na sensibilidade ao ambiente de trabalho — que permitirá à tecnologia respirar com o sistema de saúde e beneficiar o cuidado do paciente.
O projeto “Il futuro della cura” surge como uma resposta prática a essa necessidade, buscando redefinir a relação entre profissionais sanitários, inteligência artificial e saúde digital. A proposta formativa visa preparar profissionais para atuar com confiança em ambientes híbridos, onde a tecnologia complementa, mas não substitui, a experiência clínica.
Como observador atento dos ritmos da vida italiana, percebo que esta fase é como um outono de transição: a paisagem tecnológica já mostrou as cores, mas é preciso podar, enxertar conhecimento e cuidar do solo humano para que a próxima primavera — a do cuidado efetivamente integrado — floresça.
Em suma, Cicchetti lembra que investir em plataformas e dados é apenas o primeiro ato. O verdadeiro movimento ocorre quando se educa, organiza e lidera as pessoas que, dia a dia, traduzem tecnologia em cuidado. Só assim a inovação poderá cumprir sua promessa de melhorar a saúde de todos.






















