Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, num dia em que a cidade respirava a mistura de tradição e inovação, Beatrice Lorenzin, membro da Comissão de Orçamento do Senado da República italiana, lembrou que já não estamos diante do futuro distante da saúde, mas de um presente onde a inteligência artificial entrou em sua adolescência e já reconfigurou a paisagem dos cuidados. A declaração foi feita durante a apresentação do programa formativo Il futuro che cura, promovido por Johnson & Johnson e Microsoft Italia, em parceria com a Fondazione Mondo Digitale Ets.
Como quem observa uma vinha que muda de estação, Lorenzin comparou esse momento a um crescimento acelerado: a digitalização e a IA trazem um potencial enorme de processamento, capaz de reduzir erros e aperfeiçoar o controle de processos e sistemas. Em pesquisa, diagnóstico e prestação de serviços, essas tecnologias já atuam e oferecem ganhos reais. É a colheita de eficiência, quando bem guiada.
No entanto, a política tem de acompanhar essa respiração tecnológica. Lorenzin advertiu para os aspectos negativos: tratam-se de máquinas generativas cujo comportamento depende do que nelas é inserido. Daí brota a necessidade urgente de governança. “Não estamos ainda governando esse processo — estamos, em muitos casos, o sofrendo”, disse ela, sublinhando a urgência de um conjunto de regras que assegure liberdade e democracia no acesso à informação.
Outro ponto que Lorenzin destacou foi a responsabilidade: tanto a responsabilidade clínica quanto a não clínica precisam ser claramente definidas e reguladas. Sem isso, a tecnologia, por mais poderosa que seja, pode transformar oportunidades em riscos. É como entregar uma bússola potente a quem não aprendeu a ler mapas: a ferramenta existe, mas o rumo pode se perder.
Daí a importância da formação. Segundo Lorenzin, é essencial capacitar não só os profissionais de saúde em toda a cadeia — médicos, enfermeiros, técnicos e gestores — mas também os cidadãos. Aprender a interagir com essas ferramentas preservando o vínculo humano é fundamental. “Temos um instrumento excecional para melhorar os cuidados e reduzir riscos, mas as pessoas precisam ser formadas”, afirmou. E completou com uma nota pessoal: a ideia de ser tratado por um humanoide não lhe agrada.
Como guardião sensível do cotidiano, vejo essa urgência formativa como o tempo interno dos corpos e das instituições sincronizando-se com a nova estação tecnológica. A educação digital na saúde é a raiz que permitirá colher benefícios sem romper o tecido relacional entre cuidadores e pacientes. Governar a IA na saúde é, portanto, tecer regras, treinar quem opera e cuidar para que a tecnologia seja aliada — e não substituta — do humano.
O programa Il futuro che cura surge nesse contexto: uma proposta prática para cultivar conhecimento, reduzir desigualdades de acesso à informação e construir uma matriz de responsabilidade. Se quisermos que a cidade e seus habitantes respirem melhor diante dessa mudança, precisamos investir na formação como se plantássemos uma floresta — com paciência, técnica e visão de longo prazo.






















