Por Marco Severini — Espresso Italia
O nome de Danilo Restivo volta a ocupar o centro de um delicado tabuleiro investigativo após surgirem alegações que o vinculam ao assassinato a facadas de Jong‑Ok “Oki” Shin, ocorrido em 12 de julho de 2002 em Bournemouth, Inglaterra. A hipótese, defendida com veemência por familiares e observadores do caso, acrescenta mais uma camada à já complexa tectônica de poder e responsabilidade que envolve o condenado hoje com 52 anos.
Segundo informações divulgadas, a jovem sul‑coreana conhecida como Oki foi inicialmente objeto de uma condenação contra Omar Benguit, um dependente químico com antecedentes, mas novas imagens — citadas por familiares — indicariam a presença de Restivo próximo ao local do crime. O elemento audiovisual, se corroborado, pode redesenhar fronteiras invisíveis entre suspeita e condenação, exigindo reavaliação das peças do processo.
Há um padrão que, aos olhos de quem observa o caso com a calma de um estrategista, merece atenção: mechas de cabelo encontradas nas mãos de vítimas de crimes atribuídos a Restivo. Relatos apontam que tanto Elisa Claps (vitimada em 12 de setembro de 1993) quanto Heather Barnett — sua vizinha em Bournemouth — apresentavam fios de cabelo apreendidos como prova. Indícios de que Oki também teve os cabelos cortados elevam a hipótese de uma ritualística recorrente, um padrão que se repete no dia 12 de diversos meses, segundo declarações do irmão de Elisa, Gildo Claps.
Restivo cumpre atualmente duas condenações no Reino Unido, referentes a delitos distintos: um relacionado ao caso de Elisa Claps e outro ao homicídio de Heather Barnett. A possibilidade de um terceiro crime a ser atribuído ao mesmo homem reabre questões sobre erros de julgamento anteriores, fragilidades processuais e sobre a contiguidade entre comportamentos obsessivos e a prática homicida. Em interrogatório no passado, Restivo teria admitido: “Gostava de tocar e cheirar cabelos, não conseguia parar. Comecei aos cinco anos, por uma aposta com alguns amigos. Era atraído por Elisa, mas ela me rejeitou.”
As palavras de Gildo Claps sintetizam a inquietação familiar e a interpretação de um padrão ritual: “Desde o início eu estou convencido de que Danilo Restivo está por trás deste outro homicídio. Já disse isso quando soube da morte de Heather, e minhas dúvidas só aumentaram.” Para o irmão de Elisa, a coincidência de datas — o dia 12 como denominador comum — não é casualidade, mas um movimento repetido no tabuleiro do criminoso.
Como analista, observo que a reabertura de suspeitas contra uma figura já condenada coloca o sistema judicial perante uma encruzilhada: acomodar novas provas sem sacrificar a solidez técnica dos processos, e, ao mesmo tempo, garantir que narrativas midiáticas não substituam a construção probatória. Em termos geopolíticos e sociais, casos transnacionais como este expõem também a necessidade de cooperação forense e de inteligência entre países — algo que, na prática, costuma ser mais complexo do que os manuais diplomáticos sugerem.
Se as imagens e as provas biológicas se confirmarem, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro: a possível consolidação de um padrão criminoso que atravessa fronteiras e décadas, exigindo uma resposta jurídica igualmente transnacional. Até lá, a cautela na interpretação dos fatos permanece o alicerce necessário da investigação.
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