Sessão mista nos mercados europeus, marcada pela persistente incerteza em torno das tarifas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano. O clima de aversão ao risco voltou a acelerar e a desacelerar movimentos setoriais num mercado que procura recalibrar expectativas.
Os principais índices fecharam em terreno diverso: Londres cedeu -0,02%, Paris recuou -0,22% e Frankfurt registrou baixa mais acentuada de -1,06%. Em contrapartida, Milão seguiu em ascensão, avançando +0,49%, sustentada por um notório desempenho do setor elétrico.
O destaque italiano foi a Enel, que disparou +6,8% após divulgar seu plano industrial até 2028, que prevê investimentos de 53 bilhões de euros — 10 bilhões a mais do que o plano anterior. A magnitude do novo plano reacendeu apetite por ativos ligados à transição energética e infraestrutura, servindo de motor para a alta de Milão.
No restante do pregão local, Tenaris avançou +2%, enquanto Telecom caiu -1,91% e Lottomatica recuou -2,05%. Esses movimentos refletem a seletividade do mercado: investidores reprecificam riscos setoriais entre energia, utilities e telecomunicações.
Nos mercados de commodities, o petróleo Brent voltou a subir, cotado a 71,9 dólares por barril, sinalizando que fatores geopolíticos e de oferta continuam a dar sustentação aos preços. Paralelamente, o ouro acelerou os ganhos e passou a negociar acima de 5.200 dólares por onça, numa clara migração para ativos de porto-seguro diante da incerteza comercial.
O câmbio também refletiu o ambiente: o euro manteve-se em torno de 1,18 dólar, enquanto a liquidez em dólares reagia a fluxos de risco e posições defensivas.
Do outro lado do Atlântico, Wall Street permaneceu em queda, pressionada por dúvidas renovadas sobre a política comercial dos EUA. A decisão da Corte Suprema norte-americana de invalidar grande parte dos encargos anunciados anteriormente pelo presidente Donald Trump reacendeu discussões sobre a efetividade e a previsibilidade das medidas tarifárias. Essa indefinição atua como freios fiscais temporários, obrigando investidores a ajustar valorizações e prazos.
Em termos estratégicos, o episódio reforça a importância da calibragem de políticas e da diversificação em portfólios. Como estrategista, observo que o mercado está testando os freios e garra do motor da economia: enquanto políticas protecionistas tensionam cadeias globais, empresas com planos de investimentos robustos — como a Enel — conseguem ganhar vantagem competitiva e atrair capital.
Conclusão: a semana segue com volatilidade controlada, onde tarifas e decisões jurídicas desempenham papel de variável-chave. Para investidores institucionais e gestores de patrimônio, a recomendação é aguardar sinais de clareza política antes de aumentar alocação em ativos sensíveis ao comércio internacional; para ativos defensivos e commodities, o apetite por segurança segue em aceleração.






















