ROMA, 23 de fevereiro de 2026, 14:29
O ministro da Saúde, Orazio Schillaci, anunciou hoje a aprovação definitiva do novo percurso formativo para os enfermeiros, durante sua intervenção no recente conselho nacional da FNOPI (Federazione Nazionale Ordini Professioni Infermieristiche). A medida, segundo o ministro, tem como objetivo restituir atratividade à carreira e reverter o clima de desafeição em relação à saúde pública.
O decreto introduz mestrados especializados — as chamadas “lauree magistrali specialistiche” — para a formação avançada dos profissionais. “Damos resposta às legítimas aspirações dos jovens que procuram perspectivas de carreira e competências específicas”, afirmou Schillaci. A iniciativa busca também conter um problema crônico: a saída de talentos da Itália, que ao longo dos anos formou excelentes profissionais apenas para vê-los encontrar melhores oportunidades no exterior.
Mais do que um ato administrativo, a mudança representa um intento de elevar a qualidade do cuidado: “Contar com um quadro de profissionais de enfermagem adequadamente formado significa garantir cuidados mais alinhados às necessidades dos pacientes”, explicou o ministro. Entre as prioridades apontadas estão o fortalecimento da assistência territorial, o aprimoramento dos cuidados pediátricos e a atenção neonatal, áreas que, segundo o governo, serão beneficiadas por uma formação mais especializada.
Como observador atento da relação entre ambiente e bem-estar, vejo essa escolha como uma poda cuidadosa: ao nutrir as raízes da profissão com formação mais profunda, espera-se colher um jardim de práticas clínicas mais sólidas e uma rede de serviços que respire melhor com as necessidades da população. Em outras palavras, trata-se de sincronizar o “tempo interno do corpo” dos serviços de saúde com o ritmo das comunidades.
O desafio é ambicioso. Para além da conquista curricular, será essencial garantir caminhos claros de carreira, reconhecimentos profissionais e condições de trabalho que evitem a migração dos talentos. Schillaci sublinhou que a estratégia é parte integrante da política do atual governo para valorizar a profissão de enfermagem, considerada um “ponto firme” de sua agenda.
Em termos práticos, a introdução dos mestrados especializados deverá permitir que os jovens profissionais adquiram competências específicas — por exemplo, em áreas críticas como neonatologia, pediatria e cuidados comunitários —, possibilitando trajetórias mais definidas entre prática clínica e funções de coordenação ou ensino. Espera-se que isso também fortaleça a integração entre hospitais e a assistência territorial, melhorando a continuidade do cuidado.
Para a comunidade de enfermagem, a notícia chega como um sopro de esperança: a possibilidade de crescimento profissional pode ser o estímulo necessário para que a profissão recupere brilho entre as novas gerações. A proposta abre espaço para que a formação continue a acompanhar as transformações demográficas e epidemiológicas, respondendo às demandas de uma população que envelhece e precisa de cuidados cada vez mais especializados.
Em suma, o decreto não é apenas uma formalidade: é uma tentativa de reconfigurar a paisagem da saúde italiana, plantando sementes para um sistema que cuide melhor das pessoas. Como em uma caminhada por um campo que se renova, a verdadeira mudança virá com o tempo — e com a atenção diária aos sinais de quem está na linha de frente do cuidar.
Redação ANSA






















