ROMA, 23 de fevereiro de 2026 — A antecipação da estação dos pólenes, um efeito cada vez mais visível das mudanças climáticas, traz uma surpresa desconfortável para quem depende da voz: segundo especialistas, cerca de 15% das pessoas com alergias sazonais podem sofrer de disfonia durante surtos de pólen, com risco ampliado justamente na época do Festival de Sanremo — quando muitos italianos forçam a voz cantando ou comentando os espetáculos.
“Além da clássica congestão nasal e dos espirros, as alergias podem provocar problemas de disfonia em 15% dos casos, causando rouquidão e redução da intensidade vocal, com alterações de frequência e timbre”, explica Vincenzo Patella, presidente da Sociedade Italiana de Alergologia, Asma e Imunologia Clínica (SIAAIC) e diretor da UOC Medicina Interna da Azienda Sanitaria di Salerno.
O contato com os pólenes desencadeia a liberação de histamina, substância que favorece a tosse, o edema das cordas vocais e a secura das mucosas — agravada pela respiração oral quando o nariz está obstruído. “Nessas fases tendemos a forçar excessivamente as cordas vocais; essa sobrecompensação pode ser prejudicial e levar à perda temporária da voz, já fragilizada pelo desconforto”, alerta Patella.
Vivemos hoje um ritmo climático que antecipa a brotação e a liberação de pólenes das gramíneas, estendendo janelas de exposição que antes eram mais previsíveis. Para quem sente a voz como instrumento diário — cantores, professores, comunicadores, ou simplesmente o vizinho que participa com entusiasmo das noites de festa — o impacto é prático: mais tosse, rouquidão e necessidade de descanso vocal.
As medidas preventivas são simples e sensatas, lembrando a maneira como cuidamos de um jardim no qual se quer colher frutos: manter a hidratação, humedecer o ambiente, evitar ambientes secos e com fumaça, e reduzir o esforço vocal nos dias de maior concentração de pólen. Farmacologicamente, a orientação inclui o uso de anti-histamínicos e tratamentos nasais indicados por profissionais, além da lavagem nasal com solução salina para melhorar a respiração pelo nariz e proteger as mucosas.
Em casos persistentes ou que comprometam atividades profissionais, a avaliação de um alergista ou otorrinolaringologista é recomendada para personalizar a terapia e evitar complicações. Para quem celebra Sanremo com inalações de ar noturno em festas e jantares, vale a pena conferir previsões de pólen e escolher noites e locais menos expostos.
Como observador deste calendário climático e do tempo interno do corpo, proponho uma colheita de hábitos suaves: cuide da voz como se cuidasse de um fruto delicado — com água, repouso e proteção — para atravessar a primavera que chega mais cedo.






















