ROMA, 23 de fevereiro de 2026 — O cenário da saúde italiana respira em novos ritmos. Em sinal de mudança, o sindicato dos enfermeiros Nursind celebrou hoje o avanço no processo de criação de três novos cursos de mestrado que ampliam horizontes profissionais e clínicos para a categoria.
As formações previstas são: Mestrado em Cuidados Primários e Saúde Pública, Mestrado em Cuidados Pediátricos e Neonatais e Mestrado em Cuidados Intensivos e Emergência. Segundo o sindicato, trata-se de uma oportunidade concreta para que quem já concluiu o trienio de base possa aprofundar competências e assumir papéis de maior responsabilidade.
Andrea Bottega, secretário nacional do Nursind, declarou à ANSA que os novos percursos são “uma ocasião de crescimento para o enfermeiro que deseja especializzarsi, con un ventaglio di possibilità, dopo il triennio di base, che si allarga anche all’ambito clinico”. Em português: uma chance de especialização que amplia as possibilidades, também no âmbito clínico.
Na prática, as formações permitem, entre outras prerrogativas, que os profissionais possam prescrever tratamentos assistenciais — como dispositivos sanitários, auxílios e tecnologias específicas — dentro de protocolos definidos, fortalecendo a autonomia profissional e a resposta assistencial nos serviços.
O anúncio, porém, não chega sem controvérsia. A proposta suscitou resistência de parte da comunidade médica, que criticou a expansão das competências dos enfermeiros. Bottega qualificou essa postura como “posizione antistorica e corporativa”, uma reação conservadora que, segundo ele, não acompanha as necessidades de um sistema de saúde em transformação.
Em termos concretos, a medida também se reflete em números: estão previstos 124 novos enfermeiros para as empresas sanitárias, um sopro de ar que pode ajudar a aliviar pressões nos serviços e trazer renovação. Para o Nursind, é urgente relançar a profissão, tornando-a mais atraente tanto no plano remunerativo quanto nas perspectivas de carreira.
Como observador atento das mudanças que moldam o nosso dia a dia, vejo essa iniciativa como uma pequena colheita numa paisagem em transformação — é a raiz de uma nova temporada para a enfermagem, que pode florir se o terreno for preparado com diálogo, reconhecimento e formação de qualidade. A respiração da cidade, o pulso dos hospitais e a rotina dos profissionais dependem de decisões assim: que semeiam competência e colhem cuidado.
Resta acompanhar o debate entre categorias e as decisões finais sobre currículos e atribuições. Se o vento que sopra agora for de inovação, poderá desenhar uma prática assistencial mais integrada, eficiente e próxima das necessidades reais dos pacientes.






















