Por Giulliano Martini — Replicamos, com apuração rigorosa, a entrevista de Aldo Cazzullo publicada em 2023. Achille Lauro é co‑condutor da segunda noite do Festival de Sanremo, marcada para quarta‑feira, 25 de fevereiro. Na coletiva, o apresentador Carlo Conti provocou ao dizer: «Meloni? Viene se compra il biglietto». A primeira‑ministra respondeu com frieza institucional: «È FantaSanremo, io faccio il mio lavoro». A presença de figuras políticas permanece um tema de debate; na agenda oficial consta a participação de Lollobrigida na quarta.
No centro das atenções está a canção que colocou Lauro de volta ao radar do público. Segundo declarações do artista, “Incoscienti giovani” é hoje um dos maiores sucessos — «è la seconda canzone più ascoltata del 2025», disse ele — e, embora no festival tenha ficado em sétimo lugar, o músico avalia que a canção conseguiu algo maior que um troféu: «Alla fine è un po’ come se l’avessi vinto».
Relato direto sobre o processo criativo: «Mi sono messo al pianoforte, da solo, nella mia casa di Milano, e l’attacco mi è venuto subito: oh, bambina…». Lauro explicou que a versão inicial repetia esse chamado com mais frequência e que o refrão teve mudanças substanciais antes da versão final. Questionado sobre a destinatária da canção, o cantor descreveu a figura da «bambina» como uma mistura entre um antigo amor e aspectos de si mesmo: «È una canzone molto autobiografica. Io le canzoni le vesto, le vivo, le rubo dalla realtà».
As memórias familiares surgem com franqueza jornalística. Lauro relatou um passado difícil: crescimento nos chamados bassifondi, fuga de casa aos 15 anos e um pai ausente por longos períodos — «l’ho visto solo di schiena…». Em seguida, disse que a família se reaproximou e que, aos 35 anos, aprendeu a ver os fatos com outra ótica: «Quando cresci, allora comprendi, e perdoni».
O artista descreveu a trajetória pessoal como um «romanzo di formazione»: experiências que funcionaram como uma universidade da vida. Ele afirmou que, hoje, dedica parte do seu tempo a ajudar jovens frágeis, um gesto que condiciona sua leitura pública e privada: prefere permanecer só a trair quem confia nele — linha que sintetiza seu código ético: a coerência pessoal acima de aparências.
No plano profissional, Lauro comentou também sua atuação como mentor em formatos televisivos: «Con i concorrenti di X Factor oltre alla voce cerco di far emergere l’anima». Ele traça paralelos entre o ofício de cantor e o trabalho de revelar identidades artísticas.
Sobre a vida cotidiana, deu um diagnóstico lacônico: «Oggi ho una vita alienante, dormo 4 ore a notte». E, numa nota de identificação pessoal com outro nome do cenário musical, afirmou que Ultimo «è un nerd come me», sublinhando afinidades de caráter mais que de estilo.
Geograficamente, Lauro divide a rotina entre Milano — onde reside e trabalha intensamente — e Roma, cidade‑raízes da qual fala com reverência: «Villa Borghese è stupenda, Roma è stupenda». A narrativa combina elementos de autobiografia, análise de carreira e observações sobre o espaço público do espetáculo.
Do ponto de vista jornalístico, a fala do músico exige cruzamento de fontes: a autodeclaração sobre números de streaming precisa ser verificada com plataformas e relatórios oficiais; as referências à família e à trajetória social podem ser cotejadas com entrevistas e registros anteriores. Em termos de significado público, o caso de Lauro é exemplar: um artista que converte experiência de marginalidade em visibilidade e, segundo declarações, em ações de suporte a jovens vulneráveis.
Fatos brutos: co‑apresentador de Sanremo, canção de grande desempenho comercial, trajetória pessoal marcada por fuga na adolescência, trabalho social com jovens, sono reduzido e presença contínua em programas de música. A realidade traduzida por Lauro é direta, sem dramatismos, e exige do noticiador a separação entre espetáculo e verificação.
Imagem e som seguem como instrumentos do artista para narrar sua vida. O público e a imprensa têm agora o dever de monitorar desdobramentos: participação no festival, repercussão das declarações e eventual confirmação dos números que Lauro associou ao seu repertório.






















