Laura Pausini voltou a falar sobre palco, projetos e escolhas pessoais em entrevista concedida desde seu estúdio de gravação em Castel Bolognese. Co‑apresentadora do Festival de Sanremo ao lado de Carlo Conti durante as cinco noites da kermesse, a cantora detalha o lançamento do primeiro single do novo trabalho, La mia storia tra le dita, e descreve mudanças recentes em sua vida profissional e pessoal.
Na coletiva de imprensa do festival, houve até troça política: Conti disse, sobre a presença de autoridades, “Meloni? Viene se compra il biglietto”. Pausini respondeu com firmeza jornalística: “È FantaSanremo, io faccio il mio lavoro”. Está prevista a participação da ministra Lollobrigida na quarta‑feira, segundo a programação oficial.
No cerne da conversa, Pausini falou sobre a criação de um espaço museológico dedicado à sua trajetória. O projeto se origina no acervo que o pai preservou ao longo dos anos — uma ideia inspirada em Graceland, nas palavras dele — e ocupará a casa onde a artista viveu até os 18 anos. Cada sala terá um tema: a cozinha reunirá material ligado à televisão, a sala de estar documentará os turnês, haverá uma sala para itens que serão expostos em regime de rotatividade e um último ambiente guardará objetos resgatados do sótão e usados no docufilm. Entre os itens mais singulares estão os rascunhos com alterações do texto de La solitudine, canção que, segundo Pausini, nasceu referindo‑se a “Anna” e depois foi reelaborada para “Marco”, um namorado da adolescência.
Do estúdio, a cantora observa o cotidiano: brinca com Lila, o pequeno maltês da família (“eu sou a avó de Lila, a mãe é minha filha”), menciona a vida em Solarolo e confirma que o museu abrirá portas em 13 de setembro. Paralelamente, ela está imersa na finalização de Io Canto 2, um projeto que terá duas versões — uma em italiano e outra em espanhol — com listas de faixas distintas. “É a primeira vez que um meu álbum sai com tracklist em espanhol completamente diferente da italiana”, explica. A busca por sonoridades e interpretações foi extensa: “estou em estúdio há meses, fiz 84 provinos”.
Sobre a motivação para um segundo volume de Io Canto, Pausini contextualiza: o primeiro álbum da série saiu após o Grammy e teve por objetivo exportar a música italiana. No último tour, durante os soundchecks, ela voltou a fazer covers — uma prática que acompanha sua carreira desde a infância, quando trabalhava em pianobares com o pai — e a vontade de dar sequência ao conceito cresceu. Assim, enquanto a versão italiana revisita clássicos do cancioneiro nacional, a versão em espanhol presta homenagem a compositores espanhóis e latino‑americanos.
No plano pessoal, a cantora contou ter começado a perder peso durante a última turnê e notar um ganho de força física: “Comecei a me sentir fisicamente mais forte”. Pausini atribui parte desse bem‑estar a escolhas de relações e de convivência: “meu segredo para uma vida saudável? Eliminar as pessoas falsas, não só os carboidratos”, disse, em frase que mistura franqueza e síntese de prioridades.
O retorno discográfico será antecedido pelo single La mia storia tra le dita, primeiro trecho do novo repertório divulgado ao público. A expectativa é que o disco — nas duas versões — reforce tanto a dimensão interpretativa quanto a capacidade de diálogo de Pausini com mercados distintos.
Como correspondente que cruzou fontes e apurou registros junto à assessoria e à organização do festival, registro que as iniciativas de Pausini combinam estratégia cultural e curadoria pessoal: um museu que institucionaliza memória, um álbum que redesenha repertório em duas línguas e uma presença em Sanremo que, ao mesmo tempo, afirma a artista no palco e fora dele.
Dados verificados: abertura do museu em 13 de setembro; casa natal como sede do museu; dois volumes distintos de Io Canto 2 (italiano e espanhol) com tracklists diferentes; 84 provinos efetuados em estúdio; single La mia storia tra le dita como antecessor do álbum; presença de Pausini como co‑condutora em todas as cinco noites do festival.






















