Por Chiara Lombardi — Em uma conversa franca no programa dominical Che tempo che fa, gravado em 2 de fevereiro de 2026, Belén Rodríguez revelou o que esteve por trás da imagem pública dos últimos anos e confirmou sua presença na noite dos duetos do Sanremo, ao lado do estreante Samurai Jay com a canção «Ossessione».
Com a elegância de quem revisita um cenário pessoal intenso, Belén falou sobre um período que definiu como «3-4 anos muito difíceis». A apresentadora descreveu episódios de profundo intontimento — um estado que, segundo ela, aconteceu em ocasiões profissionais e que a envergonhou quando se tornou público. “Quando vi como foi, senti-me pequena, é um pouco como se despir”, confidenciou à plateia e a Fabio Fazio, mostrando a vulnerabilidade que frequentemente fica fora dos holofotes.
No tom que mistura reconhecimento e leve ironia, Belén também comentou um detalhe de sua imagem-símbolo: a famosa tatuagem da borboleta que ficou visível durante sua apresentação como coapresentadora do Festival em 2012. “Sim, a borboleta se alargou um pouco com as gravidezes”, disse, rindo, e lembrando que a forma voltou a se ajustar depois. A observação, aparentemente trivial, funciona como uma pequena parábola sobre o corpo que vive, muda e guarda memórias — como aquelas marcas que o tempo desenha na tela de um filme.
A entrevista teve também um momento de gratidão pública. Belén fez questão de citar três mulheres centrais em sua trajetória profissional: Maria De Filippi, Simona Ventura e Mara Venier. Sobre Maria, disse: “Ela tem uma mente incrível; aprendi com ela a pensar de maneira construtiva. É quase uma psicóloga” — um elogio que revela como os bastidores da televisão se articulam também como uma escola de estratégia emocional e profissional.
Em tom mais prático, Belén trouxe à mesa uma frustração administrativa: ainda não obteve o passaporte italiano. Referiu-se ao casamento com Stefano De Martino e ao divórcio solicitado antes dos cinco anos, o que a impediu de pleitear o documento via casamento. “Por que vocês não me dão o passaporte? Gostaria de levar meu filho para a América”, disse, expondo o contraste entre notoriedade pública e obstáculos burocráticos privados.
O retorno ao palco do Sanremo, portanto, chega carregado de reverberações: não é apenas um convite artístico, mas um pequeno reframe público — um espelho do nosso tempo em que a exposição e a intimidade se entrelaçam. Ao aceitar participar com Samurai Jay e a faixa «Ossessione», Belén posiciona-se novamente no centro de um roteiro que mistura memória, imagem e estratégia cultural.
Esta entrevista reafirma um ponto essencial: o entretenimento jamais é somente entretenimento. É, como diria-se com uma leve metáfora de cinema, a semiótica do viral e o roteiro oculto da sociedade — e Belén, com sua honestidade, convida o público a olhar além da superfície.






















