Por Chiara Lombardi, Espresso Italia
O retorno de Angelina Mango aos palcos teve o teor de uma reinvenção. Na data zero do seu novo tour “Nina nei teatri”, realizada em Mantova no sábado, 21 de fevereiro, a cantora lucana subiu ao palco visivelmente emocionada e ofereceu ao público mais do que canções: ofereceu o relato de uma recuperação pessoal.
Durante a noite, Angelina Mango agradeceu aos fãs que a aguardaram durante a pausa de um ano e meio — um tempo que ela definiu como necessário para reencontrar o equilíbrio que havia perdido. “Não pedi nada, e me foi dado tanto”, disse ela, em palavras que pareceram traduzir um alívio coletivo. Ao encerrar o espetáculo, antes de anunciar a próxima faixa, a artista declarou com firmeza: “Voglio proprio vivere” — uma confissão que foi recebida com um estrondoso aplauso pela plateia.
Mas o momento mais tocante ocorreu quando ela dedicou a canção seguinte a quem esteve ao seu lado durante o processo de afastamento. Em um agradecimento direto e comovente, Angelina revelou que foi sua gerente, Marta Donà, quem a convenceu a interromper a rotina há dezoito meses. “Ela me salvou a vida: me convenceu a parar um ano e meio atrás. Fez o que precisava ser feito, sempre pensando no meu bem”, declarou a cantora, encerrando, de forma elegante, as especulações que haviam surgido sobre as razões de sua ausência.
Nas últimas semanas, Angelina Mango já havia compartilhado um trecho de seu diário no Instagram, esclarecendo que sua doença não foi causada pelo sucesso, pela agenda lotada ou pelo estresse externo. “O que realmente faz mal é não se escutar, não se sentir livre”, escreveu. Esse diagnóstico pessoal ressoa como um eco cultural, uma pequena semiótica do nosso tempo em que a pressão pela produtividade muitas vezes silencia o indivíduo.
O tour oficial começa em 2 de março no Teatro Augusteo em Napoli e seguirá até as duas datas finais em Milano — 27 e 28 de março no Teatro Lirico Giorgio Gaber. A presença discreta, porém decisiva, de Marta Donà na vida de Angelina foi ressaltada pela artista ao chamá-la de “minha bussola”. Donà é reconhecida como uma das managers mais influentes do cenário musical italiano, com artistas como Marco Mengoni e Olly em sua carteira.
Mais do que o retorno de uma jovem cantora talentosa, o episódio configura um pequeno roteiro sobre escolhas conscientes: interromper, quando necessário, pode ser um ato de coragem que salva trajetórias. A placa de cena desse retorno — uma dedicação pública a uma managerial que interveio em nome da saúde — funciona como um espelho do nosso tempo, onde saúde mental e carreira precisam dialogar sem subterfúgios.
Para o público e para a crítica, Angelina Mango não voltou apenas ao trabalho: ela voltou ao palco como protagonista de um reencontro consigo mesma. Seu novo espetáculo promete ser, além de musical, um cenário de transformação — um reframe da realidade em que a arte e o cuidado pessoal se entrelaçam.
© Espresso Italia — Chiara Lombardi






















