Francesca Fagnani sobe ao palco do Festival de Sanremo com a mesma postura direta que consolidou em seu programa Belve. Em entrevista republicada do semanal 7, publicada originalmente em 18 de abril de 2025, Fagnani detalha método, origem do formato e expectativas antes da participação no Ariston, onde dividirá cena com Fulminacci, em 27 de fevereiro, para um dueto de “Parole Parole”.
O contexto é claro: em meio à conferência de imprensa do festival, houve trocas de farpas e ironias esperadas. Conti comentou, em tom seco, sobre a presença de líderes políticos: “Meloni? Viene se compra il biglietto”. Fagnani, por sua vez, minimizou o clima midiático: “È FantaSanremo, io faccio il mio lavoro”. A programação prevê ainda aparições em dias subsequentes — numa pauta que inclui nomes do governo e figuras públicas relevantes.
O projeto Belve nasceu em 2018, passou pelo canal Nove e hoje está consolidado na grade da Rai 2. A definição do programa, segundo a própria apresentadora, distancia-se do ritual promocional clássico — não é entrevista vinculada a um livro ou a um espetáculo — e persegue perfis de “belve”: pessoas que, nas palavras de Fagnani, têm coragem de ser elas mesmas, não se submetem à gregariedade e alcançam sucesso por mérito ou erram por responsabilidade própria. A sugestão do título veio da autora de TV Irene Ghergo.
O formato produziu picos de audiência: a entrevista com Fedez, em abril de 2024, é recorde do programa com 2.213.000 telespectadores. Para Fagnani, mudou menos a sua postura e mais a consciência do convidado que hoje chega ao estúdio preparado para ser questionado em profundidade.
Sobre o seu estilo, Fagnani resume sem artifícios: “Sono così e parlo così, so’ romana. Non ho mai anticipato una domanda a nessuno”. Afirma ser supersticiosa — revela que a mãe a chamava de “faccia d’angelo” — e descreve a sua rotina de apuração como minuciosa e quase clínica: estuda o sujeito, percorre a vida pública e privada e transforma a conversa em um retrato, muitas vezes comparado a uma sessão de análise pelos próprios entrevistados.
Fagnani rejeita a versão de que esteja à caça de cliques: “Non mi interessa sapere quella cosa precisa”, diz. Para ela, o que interessa é construir um arco narrativo, um atravessamento da vida do entrevistado, e não colher uma declaração viral. No programa, as perguntas seguem um plano exaustivo: conforme a apresentadora afirma, “as perguntas nunca são menos de 85 e não passam de 106” — uma faixa que revela o grau de preparação e a escala do confronto.
Em tom pessoal, a jornalista responde com leve ironia quando questionada sobre que “belva” se sente: escolheu um jack russell, o cão que não larga o osso — imagem que remete à persistência do seu método. E, em campo familiar, a “belva” mais difícil em casa é apontada com convicção: Enrico Mentana.
Entre desejos profissionais, Fagnani não esconde ambição editorial: seu sonho é entrevistar Angela Merkel, um alvo que sintetiza tanto o interesse por perfis de poder quanto a vocação para entrevistas de fôlego.
Com a presença confirmada em Sanremo, a condutora de Belve se mantém fiel ao princípio que a tornou referência: rigor de apuração, zero antecipações de perguntas e um foco inequívoco na construção narrativa da entrevista. A participação no Ariston, em 27 de fevereiro, será mais um campo de observação para medir a relação entre palco, mídia e público num dos eventos culturais mais expostos da Itália.
Apuração e tomada de decisão editorial: fatos checados e cruzados com as declarações públicas disponíveis. A realidade traduzida, sem ruído.






















