Francesco Renga em Sanremo: memórias, família e ‘Il Meglio di Me’
Em entrevista republicada por ocasião do Festival de Sanremo, Francesco Renga retomou episódios centrais de sua carreira e da vida pessoal, do triunfo com Angelo em 2005 até a participação atual com Il Meglio di Me. A conversa mantém o tom seco e factual da apuração: relatos de bastidores, escolhas de vida e laços familiares que atravessam sua obra.
Renga, 56 anos, fundador e voz original dos Timoria, recorda a fase do metal e a obrigatoriedade das longas madeixas: “Usei cabelo comprido desde os tempos dos Timoria, era quase uma regra. A estética da época pedia isso.” Do cotidiano ele extrai conselhos práticos: para manter os cachos, recomenda pouca manipulação, xampu de qualidade e lavagens reduzidas — “no máximo duas vezes por semana” — explicando que, pela manhã, umedecer levemente e modelar com as mãos basta para sair.
Sobre a imagem pública, Renga cita um episódio com Vasco Rossi no Sanremo de 2005: o veterano teria brincado chamando-o de “too handsome”. Renga responde com precisão: não se via como símbolo sexual; reconhece facilidade nas relações pessoais e no sorriso, mas minimiza a vaidade como força motriz de sua carreira.
Ao reviver a vitória de 2005 com Angelo, o artista detalha o inesperado da conquista. “Não estava previsto que fosse ao Festival, foi um pedido de Bonolis”, recorda. A percepção de que algo grande ocorrera veio nos bastidores, quando Gigi D’Alessio ajustou-lhe a jaqueta: “Uè guagliò hai vinto”. Renga relata a mistura de espanto e responsabilidade: era recém‑pai de sua filha Jolanda, e o cenário global — recorda o desastre do tsunami — reforçava um sentimento de urgência e significado naquele momento.
A perda precoce da mãe, também chamada Jolanda, quando ele tinha 19 anos, aparece como chave para entender sua trajetória: “Daquilo deriva tudo o meu modo de me relacionar com as mulheres e o que escrevo”, diz. Trata a ausência como um ponto de inflexão emocional que alimentou sua produção artística e definiu escolhas pessoais.
Sobre o relacionamento com Ambra Angiolini, Renga descreve a primeira visita à família dela em Cerveteri — cena que guarda em memória: o pai abrindo a porta sem camisa e com um crucifixo ao pescoço. Confessa que, à época, não sabia direito quem era Ambra; era jovem e os contextos midiáticos lhe eram menos familiares. O relato é trazido com a frieza de quem relata um episódio de formação, sem romantizar.
Há menções também aos filhos: Jolanda acompanha a carreira do pai e corrige trajetórias artísticas — “fica brava quando não sigo suas dicas” — e o filho Leonardo, que questiona os cuidados com o cabelo. Esses trechos trazem um traço de cotidiano familiar que contrabalança os fatos de palco.
Renga cita ainda um gesto inesperado de Laura Pausini, que lhe ofereceu um presente não especificado durante os encontros profissionais; ele comenta o gesto com discreta gratidão, sem alongar-se em pormenores.
O conjunto do depoimento reafirma a imagem de um artista cujo percurso passa por riscos tomados, por laços familiares marcantes e por episódios de palco que alteraram rumos. No contexto de Sanremo, a participação com Il Meglio di Me surge como mais uma etapa em carreira que alia experiência de estrada e rigor composicional.
Apuração in loco e cruzamento de fontes orientam esta síntese: fatos brutos, memórias verificadas e trechos reconstituídos sem adição de conjecturas. A leitura que Renga oferece é direta — uma narrativa de controle e emoção onde a música funciona como fio condutor entre perdas, conquistas e rotinas domésticas.






















