Por Giuseppe Borgo — Em uma visita de caráter inesperado, o presidente da República, Mattarella, pousou de helicóptero em Niscemi na manhã de hoje para verificar de perto os efeitos da grave frana que atingiu a cidade no fim de janeiro. O deslocamento presidencial incluiu um sobrevoo da área afetada, um reconhecimento técnico na zona roja e um encontro com alunos alojados na escola Sciascia, cujo prédio permanece interditado.
Ao conversar com moradores que perderam suas casas, o presidente afirmou: “É difícil nessas condições, eu entendo. Aqui estavam os afetos, a sua vida. Eu bem sei disso. Por isso vim, para mostrar que o sustegno permanece alto” — uma mensagem de proximidade que buscou aliviar, com a presença institucional, a sensação de abandono e a angústia de quem viveu o colapso.
Após o reconhecimento da zona roja, que levantou aplausos e agradecimentos dos habitantes locais, a comitiva seguiu ao instituto escolar Mario Gori. Em seguida, ocorreu um encontro no município com o prefeito Massimiliano Conti e com o chefe da Proteção Civil, Fabio Ciciliano, para avaliar medidas emergenciais e coordenação de respostas. Logo depois, o presidente seguiu para Palermo, onde participará da Giornata dell’Orgoglio dell’Avvocatura no Teatro Massimo.
Os fatos que motivaram a visita não deixam margem para dúvidas: a frana que começou a se movimentar em 25 de janeiro, nas imediações do torrente Benefizio, evoluiu rapidamente, com escorregamentos de até 10 metros e extensão superior a 4 km pelo lado sudoeste do município. Entre as consequências imediatas, o bloqueio viário com o fechamento das SP10 e SP12 e a evacuação de bairros inteiros, como Sante Croci e Trappeto.
Atualmente, os números oficiais apontam cerca de 1.600 pessoas desabrigadas, 880 edifícios incluídos em zona de risco até 150 metros, e 1.032 solicitações de realocação em aberto. Até o momento foram protocoladas 454 pedidos de auxílio financeiro e registradas 964 entradas para retirada de pertences pessoais. Os impactos sobre infraestruturas e atividades econômicas são severos.
A visita de Mattarella também ocorre num contexto de críticas sobre a prevenção: moradores e especialistas questionam a ausência de intervenções de saneamento e a existência de fundos previstos desde 1997 que, segundo denúncias locais, ficaram subutilizados. O prefeito Conti descreveu a situação como “dramática”, enquanto o governo regional e o presidente da Região, Musumeci, afirmam atuar para elevar o episódio à condição de emergência nacional.
Como repórter que acompanha a arquitetura das decisões públicas, é possível traçar uma analogia: a resposta institucional precisa funcionar como uma obra de engenharia civil aplicada à cidadania — alicerçar medidas imediatas, reconstruir serviços essenciais e derrubar as barreiras burocráticas que impedem a reconstrução. A presença do chefe de Estado opera precisamente como um peso simbólico da caneta responsável por destravar recursos e atenção, mas o desafio real passa pela coordenação técnica e pela velocidade de execução.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos, a evolução das realocações e a liberação de fundos, bem como as iniciativas para reforçar a prevenção. A cidade de Niscemi aguarda que, além da solidariedade, cheguem medidas estruturais que assegurem a reconstrução e a segurança das comunidades.





















