Sanremo 2026, a 76ª edição do festival, teve sua primeira conferência de imprensa transmitida ao vivo do Ariston com momentos que misturaram emoção, afeto e uma pitada de espetáculo: à frente da edição, que vai ao ar de 24 a 28 de fevereiro, estão o diretor artístico e condutor Carlo Conti e a cantora e coapresentadora Laura Pausini. A temporada chega com 30 Big em disputa e 4 Nuove Proposte, além de um elenco de estrelas que acompanhará a condução.
Ao lado de Conti e Pausini, passarão pelo palco nomes como Can Yaman, Achille Lauro, Pilar Fogliati, Bianca Balti, Irina Shayk e Giorgia Cardinaletti. E, como num roteiro que flerta entre memória e presente, houve também a entrada inesperada de Fiorello, que trouxe leveza e improviso à sala de imprensa, lembrando que o festival sempre foi — e continuará sendo — metade cerimônia, metade cena aberta.
No momento mais comovente da conferência, Laura Pausini lembrou com a voz embargada sua primeira vez no festival e fez referência direta a Pippo Baudo, figura que marcou sua carreira. “O primeiro prêmio que ganhei foi aqui, em Sanremo, em 1983. Ontem, nos ensaios, eu estava exatamente no ponto onde o senhor Baudo me premiou”, disse Pausini, evocando uma continuidade afetiva que atravessa gerações — como se o festival fosse um espelho do tempo que guarda e devolve memórias.
Carlo Conti respondeu, com a mesma mistura de bom humor e assertividade que costuma usar, a perguntas sobre a possível presença da primeira-ministra Giorgia Meloni: “Não acredito que eu deva decidir quem vem. Ela é cidadã livre; se comprar o bilhete, pode vir”. Conti aproveitou para reforçar sua postura pública: “Eu sou um homem livre… em televisão sou orgulhosamente giullare” — palavra que remete ao bobo da corte e ao lugar ambíguo do apresentador entre crítica e celebração.
Também foi abordada a polêmica envolvendo Andrea Pucci, que após reações negativas optou por não participar do festival. Conti minimizou a controvérsia lembrando sua experiência e autonomia na Rai: agradeceu aos dirigentes por manterem espaço de liberdade e afirmou que muitas vezes as escolhas e suas consequências são parte do roteiro público que Sanremo representa.
Do lado do esporte, a conferência anunciou uma presença que simboliza o encontro entre espetáculo e superação: subirão ao Ariston as campeãs olímpicas Arianna Fontana, Francesca Lollobrigida e Lisa Vittozzi, assim como os atletas paralímpicos Giacomo Bertagnolli e Giuliana Turra. A inclusão reforça o caráter polifônico do festival — uma narrativa coletiva que, por alguns minutos, transforma o palco num espaço de celebração dos corpos e das histórias.
Em tom pessoal, Pausini contou sobre a ligação com Pippo Baudo após receber o convite de Conti: ele teria dito que ela estava pronta para o festival, gesto que ela descreveu como uma espécie de bênção e suporte emocional. “Eu o sinto aqui comigo”, afirmou, como se a presença simbólica do mestre modulasse sua serenidade — e sua autoridade — diante do grande público.
Esta primeira conferência funciona, portanto, como um índice do que o Sanremo 2026 pretende ser: um palco de música, memória e disputa simbólica, onde a ilusão do espetáculo e a seriedade dos discursos públicos se intersectam. O festival promete noites de canto, encontros inesperados e cenas que vão além do entretenimento — um verdadeiro reframe da realidade italiana contemporânea, narrada entre emoções pessoais e a potência coletiva do Ariston.






















